

Quero dedicar este post e os próximos à minha namorada Alana, que não é apenas a mulher mais linda e maravilhosa do mundo, como me conseguiu uma porrada de nazi-exploitations que eu achei que jamais encontraria, inclusive toda a filmografia nazi da Eurociné, algo que estava fazendo muita falta neste blog. Agradeçam à minha gatinha pela volta dos posts regulares no Fräuleins!
Dentro do maravilhoso mundo cinema, a mesma história pode ser contada diversas vezes sem ficar repetitiva. É claro que, na maioria das vezes, cineastas pés de chinelo não conseguem conceber muitas variações, e o resultado final fica mesmo repetitivo. Mas na hora de pegar uma história padrão e criar um produto atraente, a solução pode ser mais simples do que se imagina: basta contar a mesma história sob um ponto de vista inovador.
Peguem como exemplo este nazi-exploitation francês chamado Nathalie: Escape from Hell. Ele sofria não apenas de se situar num subgênero famoso pela repetitividade, como estava num ciclo em especial (o da Eurociné), que praticamente tratava de refilmar a si mesmo de novo e de novo. Numa série de filmes entre 1977 e 1978, com produção até caprichadinha, estes filmes dividiam cenários, atores e até personagens, se aproveitando do sucesso que o gênero fazia na Itália.
Mas aqui a coisa funciona exatamente pelo fato de que a história de sempre (bordel nazista feito para espionar oficiais) e os estereótipos de sempre (dominatrix, oficial arrependido, orgias, bondage...) são apresentadas pelo ponto de vista de uma personagem absolutamente original e algumas sacadas advindas de gêneros diferentes.
O filme começa soberbamente, mostrando a nossa personagem principal, Nathalie Baskova (Patrizia Gori, figurinha carimbada da Eurociné, que aqui tem sua chance de brilhar) uma médica ucraniana que atende os enfermos de uma pequeno vilarejo sozinha, já que os outros médicos estão atendendo na guerra. Mas uma consulta a um velho aldeão é interrompida quando os nazistas invadem a casa, trazendo um oficial moribundo, baleado num ataque da resistência. Como Nathalie é incapaz de salvar o nazi, ela é encarcerada como se fosse membra da resitência e mandada para um campo de concentração.
Do campo Nathalie é enviada para Stilberg, um imponente chateâu onde funciona o clássico bordel nazista. Mas antes mesmo de sair do campo, envolvida numa trama internacional, quando é abordada por um oficial russo infiltrado na Cruz Vermelha quelhe passa a missão de encontrar uma outra prisioneira no chateâu, que possui informações valiosas para a guerra, para resgatá-la ou, se necessário, silenciá-la.
Mas a coisa vai ficando cada vez mais complicada, uma vez que o chateâu de Stilberg é comandado por Helga Hortz (Jacqueline Laurent, que não é nenhuma Dyanne Thorne, mas em compensação fica lin-da num maiô de couro!), uma dominatrix ninfomaníaca que manda e desmanda no local, já que o verdadeiro chefe, Coronel Gunther (Jacques Marbeuf) passa o tempo todo embriagado.
Helga fica obcecada por Nathalie, mas a garota conta com um trunfo: o tenente Muller (Jack Taylor, que tem uma carreira respeitável, participando de filmes como Conde Drácula, Conan, o Bárbaro e O Último Portal, e continua na ativa até hoje), cuja vida ela salvou no mesmo dia em que foi aprisionada. O tenente a ajuda, dispensando dos serviços de putana e permitindo-a a continuar trabalhando como médica. Obviamente, os dois se apaixonam, e têm de enfrentar o desejo furioso de Helga, cujo desejo de dominar a ambos a faz cruzar qualquer limite.
É muito interessante ver a relação doentia da dominatrix que deseja de qualquer forma possuir a ambos, algo que foi tratado de forma leviana e frustrante no inferior Elsa Fräulein SS, que também pertence ao ciclo da Eurociné. O filme flui muito bem, e não se limita a seguir o roteiro padrão do gênero. Elementos como o bordel e as torturas às prisioneiras são deixados em segundo plano para desenvolver o triângulo amoroso que é o pivô da história. A personagem de Nathalie foge completamente da habitual protagonista judia, e Gori é carismática o suficente para carregar o filme, contrapondo sua inocência à figura intimidante de Helga. O cenário do castelo, reaproveitado de Helga, She Wolf of Stilberg, do ano anterior, também difere muito dos campos habituais, criando um ambiente até agradável, descontada a inevitável masmorra. Isso tudo, mais a deliciosa e corajosa ironia dos minutos finais, valem para recomendar este nazi-exploitation acima da média.
