quarta-feira, 30 de junho de 2010

Beast in Heat (1977)





Com: Macha Magall (Dra. Ellen Krastch), Gino Turini (Drago), Sal Boris (A Besta)
Dirgido por Luigi Batzella


A Dra. Ellen Krastch (Macha Magall) cria, através de experimentos genéticos, uma besta humana (Sal Boris) usado em torturas sexuais contra as suas prisioneiras.





Muitos atores ficaram marcados por papéis. Roger Moore nunca saiu do estigma de James Bond. Jenifer Aniston vai ser para sempre a garota boba e moderninha por quem o protagonista se apaixona. Sal Boris ficou preso no papel do mutante maníaco sexual peludo usado pelos cientistas nazistas para experimentos sexuais. E por mais que Jim Carrey tente fazer drama... peraí!!!

Isso mesmo, amiguinhos, Sal Boris, ou Salvatore Baccaro, foi um ator italiano que fez diversos papéis minúsculos em maravilhas como Prelúdio para Matar, Starcrash e Emanuelle na América, mas que no fim do dia acabou sendo marcado por sua aparência de homem das cavernas, e fez o papel do neanderthal estuprador de prisioneiras de guerra e nazistas aspirantes a prostitutas. Em quantos filmes alguém podem ter um papel deste? Eu já vi três! E todos, é claro, estarão presentes neste blog no devido tempo.

Mas primeiro trataremos de Beast in Heat, ou SS Hell Camp, como também é chamado. Eu pretendia falar sobre esta coisa mais tarde, mas como já me vi citando este filme nos posts anteriores, resolvi trazer a tona de uma vez esta obra prima do mau gosto. Porque se o seu conceito de grotesco é Brüno, e se você é um dos frescos que dizem que Bastardos Inglórios e Trovão Tropical são ofensivos à memória das vítimas das guerras, você vai sofrer muito antes dos créditos finais.

Falar sobre Beast in Heat em termos sérios é impossível. Vamos tentar descrever a cena inicial. A Dra. Ellen Krastch (Macha Magall, que como atriz é uma tremenda gostosa) conversa com outro médico, interpretado por um ator não creditado e com cachaça demais na cuca para tentar atuar. Ele diz que o "experimento" é uma "abominação desumana", e que não quer ter nada a ver com ele. Já a doutora garante que o seu "experimento" é um sucesso e que dará "uma incrível demonstração de virilidade". E o que é o tal "experimento"? Sal Boris, transformado numa besta sexual, para a qual são atiradas prisioneiras, que são estupradas até a morte. A doutora comemora o "sucesso" do experimento com o beijo lésbico mais gratuito da história do cinema exploitation. E isso não é pouca coisa.

Esta cena por si só é tão esquisita, tão bizarra, tão demente que dá a sensação de que o tal mutante estuprou ele mesmo o cérebro do espectador. Para início de conversa, como diabos um homem-macaco violador ajudaria a Alemanha a vencer a guerra? Talvez criar um exército de Sal Boris tarados e jogá-los nos campos de batalha para currar os Aliados até a morte? Em segundo lugar, desde quando você precisa de experimentos complexos para criar uma coisa dessas? Quer dizer, não acho que seja tão difícil assim transformar um homem numa besta sexual desenfreada. Aliás, é a coisa mais fácil do mundo.

Tudo bem, passada esta introdução maravilhosa, o diretor Batzella ainda acredita ter cacife para criar uma história dramática de guerra. Para isso, mostra o dia a dia de uma vila dominada pelos nazistas, onde o povo tenta fugir da tirania dos alemães, e um grupo de cidadãos comuns se rebela e decide pegar em armas e lutar com as próprias mãos, tendo como membro chave um padre. Tudo se desenrola até a cena onde os membros da resistência são capturados e torturados para entregar informações, mas resistem bravamente.

Isso me lembra outro filme...


Isso mesmo, são os exatos mesmos elementos de Roma... cidade aberta, uma das maiores obras do neo-realismo italiano, e um dos melhores filmes de todos os tempos. Mas há uma pequena diferença: Anna Magnani nunca teve que enfrentar isso:


Imagine a "besta no cio" estuprando metade do elenco. Imagine cenas de batalha tiradas de documentários. Imagine Macha Magall tirando a roupa para seduzir e castrar os prisioneiros e imagine que (e isso é sério) a besta arranca e come os pêlos púbicos de uma prisioneira!!! Se quiser, tire um minuto para assimilar esta informação. Eu sei que eu precisei. Mas prepare-se, porque o pior não é isso. O pior é que depois de tudo que eu mencionei e muito mais, o filme termina com um homem carregando o cadáver de uma criança e soltando o seguinte discurso:

"Então, chegará o tempo em que cada homem abraçará seu vizinho, irá chamá-lo de irmão e a paz chegará."

Está sentindo lágrimas nos olhos? Digamos apenas que um filme que começa com uma cientista boazuda criando um monstro estuprador e termina tentando passar uma mensagem de paz tem tanta credibilidade quanto Jenna Jameson fazendo um discurso contra sexo pré-nupcial. O grande problema do filme acaba sendo este: no lugar de ser simplesmente exagerado e apelativo, que é exatamente o que nós queríamos, ele ao mesmo tempo quer passar uma mensagem anti-belicista, como se estívessemos assistindo Glória feita de Sangue. Claro, nós sabemos, a guerra é estúpida. Mas este filme é quase tão estúpido quanto. Como você pode ser profundo quando na cena anterior acabamos de ver um homem que faz esta cara ao ser castrado:



E mesmo sem a "besta no cio", é difícil levar sério qualquer filme que tem batalhas filmadas assim:




Beast in Heat é isso: um dos filmes mais inacreditáveis, apelativos e ofensivos de todos os tempos. Ou seja, ouro puro para quem curte um nazi-exploitation. Uma das melhores comédias não-intencionais já feitas, mas terminantemente proibido para o público "normal".

E, como em disse antes, Sal Boris acabou interpretando o mesmo personagem outras duas vezes. Em quais filmes? Aguarde e verá!

Ponto alto: Macha Magall, uma das mulheres mais lindas a pagar mico no cinema exploitation.
Ponto baixo: as cenas de reunião entre os membros da resistência são chatas, inúteis e sem objetivo.

Títulos alternativos:
La Bestia in Calore
Horrifying Experiments of the S.S. Last Days
SS Hell Camp

1 insurreições:

  1. Caramba! Quanto mais leio, mais vontade tenho de ver essa tralha!

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