
Com: Marc Loud (Comandante Conrad von Starker); Daniela Poggi (Lise Cohen); Maristela Greco (Alma); Fulvio Ricciardi; Antiniska Nemour; Caterina BarberoDrigido por Cesare Canevari
Lise Cohen é capturada em Dresden e enviada para um Campo do Amor, sob o comando do general Conrad von Starker e sua amante Alma. Lise é diferente das outras prisioneiras por não demonstrar nenhum medo da morte, o que chama a atenção do comandante, que decide submetê-la a todo tipo de tortura até criar o medo na morte. Ambos desenvolvem uma estranha reação, que dura até depois da guerra.



Quando se trata de usar sexo e violência para atrair o público, sempre há vários caminhos para se seguir. Dentro do cinema naz-exploitation, isso é visto com extrema clareza. Há desde os filmes que descarregam sobre o espectador uma tonelada de abobrinhas, sangue e nudez, amarrados num coneteúdo frouxo. Mas há também aqueles que usam a liberdade de ofender o público para tentar criar algo diferente.
As Condenadas se encaixa nesta última categoria. Feito em 1977, o ano de ouro do gênero, esta pequena obra-prima distorcida se diferencia justamente por ser um produto mais bem acabado: o elenco está ótimo, o roteiro tem surpresas muito bem-vindas, e a trilha sonora do milanês Alberto Baldan Bembo é extraordinária para uma produção do gênero. Enfim, pode-se notar uma tentativa de dar um passo adiante do arroz com feijão do gênero, o que aproxima a obra de filmes mais sérios, como Salò (inclusive traz no elenco Antiniska Nemour, uma das vítimas do filme de Pasolini) e Os Deuses Malditos. É claro, não chega ao brilhantismo de Pasolini ou Visconti, até porque não há um conteúdo social tão profundo aqui: os nazistas são vilões e os judeus são vítimas, pelo menos no geral.
A linda Daniela Poggi cria uma das melhores personagens do gênero, Lise Cohen, a jovem sem vontade de viver que aceita todas as torturas impostas no campo sem medo algum. Estas incluem estupro, bondage e ratos famintos devorando sua carne. Ela se torna obsessão do comandante von Starker, que acaba desenvolvendo uma estranha paixão sadomasoquista por ela.
Em matéria de crueldade, o filme é uma aberração. Há de tudo: assassinato de bebês, estupro, pessoas queimadas vivas, pessoas sendo devoradas por cães, mulheres grávidas assassindas, roupas de pele humana, uma mulher sendo desfigurada com um garfo, coprofagia, corpofilia, incesto, orgias sangrentas e, na mais famosa cena do filme, um banquete de carne humana. E, incrivelmente, ainda há espaço para desenvolver personagens realmente críveis. Como a judia, interpretada por Antiniska Nemour, que oferece seu corpo para salvar Lise e acaba morta, ou o médico nazista interpretado por Fulvio Ricciardi, que se revolta contra a crueldade de seus companheiros. Outras são menos desenvolvidos do que deveriam, como a prisioneira vivida por Caterina Barbero, que tem um romance com um dos guardas, tão mal retratado que só se compreende em uma revisão.
E há, acima de tudo, a coragem do filme em virar 180º graus no terceiro ato, e apresentar uma mudança de caráter da personagem principal que vai pegar muita gente de surpresa, enveredando por um caminho completamente novo e escapando do velho clichê de "fugir do inferno" que permeia tantos filmes de mulheres na prisão.
Este festival de sangue, perversão e violência sexual aberrante tem um público certo, e mais acertos do que erros. Se encaixa como um dos melhores do gênero, e faz o possível para chocar a qualquer custo. Assista por sua conta e risco.
Ponto alto: a música tema
Ponto baixo: Maristella Greco está lá só para acrescentar uma variação da Ilsa de Dyanne Thorne
Títulos alternativos:
L'ultima Orgia Del III Reich
Caligula reincarnated as Hitler
Grande clássico. Lembro do VHS na locadora... era o único filme proibido para menores de 21 anos!!! Nem filme pornô tinha essa advertência na capa... ainda bem que o pessoal da locadora que eu frequentava nunca deu muita bola para classificação etária... :)
ResponderExcluircara, onde tu achou pra baixar? não consigo achar sequer a legenda..
ResponderExcluirOlá...
ResponderExcluirObrigado por fazer esse blog...
sem igual, muito bom, agradeço pelo seu trabalho, muito obrigado...
Realmente eu assisti aos 22 anos..o homem da locadora ainda recomendou que eu não assistisse...isso foi em 94...e em 97 encontrei ele com outro nome em uma locadora em Goiânia..chamava-se Hitle versos Calígula....o filme é muito pesado...
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