domingo, 11 de julho de 2010

The Cut-Throats (1969)


Com: Jay Scott, Uschi Digard, John Keith
Dirigido por: John Hayes


Sinopse: Conflitos surgem entre os soldados de um batalhão americano, quando, após uma missão bem sucedida, o capitão resolve trair seus homens para roubar um carregamento de jóias do exército alemão.





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Love Camp 7, dirigido por Lee Frost em 1969 costuma ser, no consenso geral, apontado como o primeiro filme nazi-exploitation já feito. Mas há outra obra lançada no mesmo ano que pode ser apontada como percusora do gênero. Um filme muito obscuro, e que alguns ouviram falar, mas poucos se deram ao trabalho de assistir: The Cut Throats.

Um aviso, antes de qualquer coisa. Para que não haja mal entendidos, vou frisar desde o início que o filme é horrível. Mesmo. Na verdade, o único motivo para assisti-lo é a curiosidade história de assistir aquele que é um dos pioneiros no gênero erótico-nazista.

O mais estranho de tudo está nos primeiros minutos. Os créditos inciais vêm sobrepostos à imagem de um vaqueiro, ao som de uma música country, chamada " The Ballad of Jimmy Jones". E logo que o filme começa, somos apresentados ao tal Jimmy Jones (o ator pornô John Keith), um soldado americano com jeito de cowboy, do chapéu ao sotaque, e que passa o seu tempo laçando um toco de árvore. E aí, o espectador pensa: "Isso parece interessante: um clima de faroeste em plena Segunda Guerra Mundial! Quem será este tal de Jimmy Jones? Qual será a sua história? Imagine só ele enfrentando os nazistas como se fosse um pistoleiro solitário vindo de algum western spaghetti! Isso vai ser demais!"

E então, Jimmy morre. Isso mesmo: todos os créditos inicias foram dedicados a este cara, ele tem uma música tema e é, de longe, o personagem mais interessante do filme todo... isso tudo para morrer depois de apenas duas cenas! E morre para salvar uma moça de ser estuprada, quando ela na verdade parecia estar curtindo o estupro! É sério: o soldado alemão chega, tira a roupa dela e começa a mandar brasa, e nem uma cara de nojo ela faz.

Bem, agora que Jimmy morreu, vamos cortar para os tais "cortadores de garganta". Eles são um pelotão compostos por soldados genéricos e cujo nome nem vale a pena lembrar, e interpretados por atores mal creditados, o que torna impossível a tarefa de dizer quem interpreta quem. Liderados pelo Capitão Kohler, eles têm a missão de invadir uma base nazista e matar todos os soldados que encontrarem.

A cena da invasão à base é hilária. Primeiro, porque antes dela temos uma cena erótica completamente surreal e dispensável, onde um oficial nazista recebe uma massagem de uma gostosa anônima. E eu que reclamei das cenas de putaria dispensáveis de Fräuleins in Uniform : pelo menos lá as tais cenas eram rápidas e você entendia o que estava acontecendo. Aqui não, são cinco minutos com a tal massagista derramando óleo num general velho e feio e chupando o seu dedão ao som de música clássica. Aguarde porque vem mais pela frente.

O ataque à base é digno de Chapolin. Acredite se quiser, mas o cenário é tão bem feito que um soco é capaz de arremessar um homem através de uma parede como se ela fosse de isopor. E isso é porque ela é de isopor. E para um filme chamado "os corta-gargantas", a única cena de garganta cortada fica abaixo do pior efeito. Sabe aqueles filmes onde você vê que a faca não corta nada, apenas deixa um filete de tinta vermelha na pele? Pois você não vai conseguir nem mesmo este filete em The Cut-Throats.

Bem, base tomada, missão cumprida. O que os nossos soldados vão fazer agora? Sexo, é claro! Mas não uns com os outros, e sim com um grupo de mulheres convenientemente escondidas na base. Calcule: aos 23 minutos de filme as mulheres são achadas. O plot sai para dar uma voltinha e deixar os tarados mais à vontade, e volta aos 43 minutos. Estes 20 minutos são dedicados a todo tipo de sacanagem e orgia que era permitido no cinema de 1969, até que, finalmente, são reveladas as verdadeiras intenções do Capitão Kohler: ele está interessado num carregamento de jóias sob poder do general nazista Hein. Encontra uma parte na base, e com a ajuda de uma das prisioneiras, descobre a localização de mais um carregamento, e parte com os seus corta-gargantas para cima do general, sem lhe dizer o seu verdadeiro propósito.

E o tal general acaba de receber a notícia de que a guerra acabou, e comemora mandando o mensageiro que trouxe o recado trepar com sua secretária, interpretada pela peitudíssima Uschi Digard. Aliás, se você quer comemorar o fim da guerra, e a sua secretária é Uschi Digard, por que você mesmo não... um momento! Comemorar o fim da guerra? Mas o seu lado acabou de perder! Você quer dizer que o general Hein está comemorando a queda da Alemanha, ou que o filme se passa num universo paralelo em que a Alemanha ganha a guerra?

Alguma coisa me diz que Quentin Tarantino viu este filme...

Bem, não há muito mais a dizer, já que se você tirar todas as cenas inúteis, o filme que já é pequeno se torna um curta metragem. Este é mais um caso em que boas ideias em potencial são jogadas na privada, só para termos mais cenas de sacanagem na trama. Um certo personagem virando a folha no final é interessante, o final amoral é bacana, e o duelo entre o capitão e o general, filmado à moda de um duelo de faroteste, dá um certo charme à produção. Mas no final, só o que sobra é se lamentar pela ausência de mais cenas com o tal soldado Jones, ou, como eu gosto de chamar, "recruta Cowboy".


E uma palavra de aviso: a cópia do filme que circula na internet tem a pior qualidade de imagem possível, tão estourada que quase dá para ver o esqueleto dos atores.




Considerando este filme e Love Camp 7 como pioneiros do nazi-exploitation, era difícil de imaginar que o gênero fosse sequer continuar, já que se tratam de dois filmes muito fracos e sem molho. Felizmente, outros souberam espremer melhor a fruta, mas é curioso o fato de Love Camp 7 ter se tornado tão famoso, enquanto The Cut-Throats, por ruinzinho que seja, não é lembrado por quase ninguém.

Ponto alto: as cenas eróticas contam com atrizes muito bonitas.
Ponto baixo: há muita pouca história, mesmo para um filme de 76 minutos.

Títulos alternativos:
She Devils of the SS
SS Cutthroats
Cut-Throat Kommandoss

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