quinta-feira, 15 de julho de 2010

Deported Women of the SS Special Section (1976)


Com: John Steiner (Herr Erner), Lina Polito (Tania Nobel), Stefania D'Amario (Angela Modena), Sara Sperati (Monique DuPré), Giorgio Cerioni (Dr. Scübert)

Dirigido por: Rino di Silvestro

Sinopse: Tania Nobel era uma moça rica, vivendo numa imensa propriedade com sua família, quando foi mandada para um campo de concentração instalado num escuro castelo medieval.





Na única cena realmente chocante de Deported: Women of SS Special Section, o comandante nazista interpretado por John Steiner, vê frutrados todos os seus esforços para conquistar a prisioneira Tania Nobel (Lina Polito), que prefere se enroscar com o seu ajudante, um grandão deficiente mental chamado Dobberman (Guido Leontini). Como forma de vingança/reparação, o comandante curra Dobberman, que fica com o olhar perdido, alheio a tudo.

Fora este momento grotesco, que parece saído diretamente de Os Deuses Malditos de Luchino Visconti, e uma cena de castração bem criativa mais no final, o que se vê no filme é sempre mais do mesmo. Há violência, há sexo e há violência sexual, mas o roteiro é tão simples que poderia muito bem ser usado como exemplo para quem nunca assistiu um nazi-exploitation na vida e quer entender a essência do gênero. O filme é ruim, então? Não, apenas tem pouco de diferente a oferecer, mesmo em matéria de choque, a não ser que você se ofenda facilmente.

A trama se passa num campo de concentração instalado num antigo castelo medieval. É para lá que são enviadas um grupo de belas priosneiras, entre elas Tania, a francesa Monique DuPré (Sara Sperati, de Salon Kitty) e a acrobata italiana Angela Modena (Stefania D'Amario, de Nightmare City), entre dezenas de outras. Não há muito mais o que se dizer da trama, que segue sem surpresas: são as cenas de chuveiro, tentativas de fuga, exames médicos, espancamentos, estupro, lesbianismo e cat fights que já vimos um milhão de vezes antes. Em alguns momentos é mencionada a presença de um cientista que usa as prisioneiras como cobaias, mas isto fica em último plano e nunca é concretizado.

A coisa só começa a tomar um rumo um pouco diferente quando o comandante Erner (Steiner) reconhece Tania, a qual ele havia tentado conquistar várias vezes antes da guerra, e que tem agora sob seu poder. Isso poderia render uma relação ambígua, como foi feito muito bem em O Porteiro da Noite e posteriormente em Gestapo's Last Orgy e Nazi Love Camp 27. Mas ao contrário destes outros filmes, onde fica claro a relação de domínio que há entre carcereiro e priosioneira, aqui o comandante parece um menino de 12 anos apaixonado, que enche Tania de presentes e lhe promete seu amor eterno, enquanto a moça fica completamente blasé, sem se preocupar com o fato de que aquele é o homem que tem a sua vida nas mãos. Não ajuda o fato de a atuação de Steiner (de Calígula e Cut and Run) ser patética e nem um pouco ameaçadora

Agora, se há um grande elogio que pode ser feito ao filme, é à sua atmosfera pesada e claustrofóbica: ele é quase todo rodado nos interiores do castelo, com poucas externas, e não há nenhum momento camp como em muitos nazi-exploitations. Ou seja, pro bem ou pro mal, este é um filme que pretende ser levado a sério, ao contrário de tantas outras produções semelhantes.

Mas, verdade seja dita, trata-se muito mais de um filme de mulheres na prisão (tema familiar ao diretor di Silvestro) do que de um nazi-exploitation legítimo. As guardas sádicas, os banhos de chuveiro e tantos outros elementos fazem com que o filme lembre mais obras como Barbed Wire Dolls do que o cinema erótico de guerra. A própria rebelião final, com direito a tiroteio, linchamento e uma fuga criativa do campo fazem mais sentido quando se ignora o fato de que deveria haver um exército inteiro para recapturar as prisioneiras.

Então, já sabe: pode assistir tranquilamente, mas se deixar passar não vai perder muita coisa. Se for mulher, pelo menos vai aprender uma ótima forma de castrar um homem sem usar as mãos...

Ponto alto: o roteirista, apesar de ter muitas limitações, sabia o que estava fazendo, e poliu o script de forma que as subtramas têm, no geral ao menos, uma conclusão satisfatória.
Ponto baixo: além da mediocridade apontada, são poucas as cenas realmente gore.

Títulos Alternativos:
SS Special Section Women
Le deportate della sezione speciale SS

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