Com: Elisabeth Felchner (Marga Kuhn), Karin Heske (Eva Kuhn), Renate Kasche (Ulrike von Menzinger), Carl Möhner (Dr. Felix Kuhn)Dirigido por: Erwin C. Dietrich
O dia a dia de um grupo de mulheres a serviço da SS, envolvidas em todo tipo de perversão sexual.




Fräuleins in Uniforms é um caso único no cinema nazi-exploitation. Não por ser muito bom, nem por ser muito ruim (embora seja ruinzinho), ou particulamente chocante. O que difere este filme de tantos outros similares? Bem, primeiro o fato de ser feito em 1973, ou seja antes que Ilsa: She Wolf of the SS e Salon Kitty, os filmes que ditaram os maiores clichês do nazi-exploitation, o que confere à trama uma certa originalidade. E em segundo lugar, o fato de ser provavelmente o único filme do gênero feito na Alemanha.
Caso o prezado leitor não saiba, está na hora de saber: na Alemanha é terminantemente proibida a distribuição de filmes nazi-exploitation. Assim como são proibidas as suásticas em locais públicos, mesmo em cartazes de cinema. Tudo isso, claro, por causa da vergonha que os germânicos sentem dos horrores do Holocausto.
Como Fräuleins in Uniforms foi feito e distribuído, eu não sei, mas com certeza os alemães deveriam ter escondido isso melhor. Simplesmente porque a fita trata todos os soldados e mulheres alemãs como completos pervertidos sexuais, daqueles que fogem da batalha para dar uma rapidinha. E não é como em Ilsa ou similares, onde você entende o motivo pelo qual alguém está comendo alguém. Aqui, as pessoas simplesmente pulam em cima uma da outra dois segundos depois que se encontraram, antes de qualquer atração ou tesão estar estabelecido. Na cena mais escrota, duas mulheres estão lavando roupa num rio. De repente, uma delas aponta e grita: "Olha só! Dois homens!" E lá estão dois soldados andando de bicicleta. Eles descem, vão até elas, traçam as duas e vão embora, em mais uma cena que não acrescenta nada a nada!
Aliás, uma outra coisa que você precisa saber sobre este filme é que não passam cinco minutos sem que alguém seja pego "em ação". Sempre que um personagem abre uma porta, lá está alguém molhando o biscoito. Se ele olha para a direita, olha para a esquerda, levanta uma pedra, encontra alguém comendo alguém. O TEMPO TODO! A quantidade de pessoas que são surpreendidas durante o coito encheria um Decamerão inteiro.
Não tenho nada contra sexo no cinema, até porque se eu tivesse este blog nem existiria. Mas normalmente, quando um filme usa sexo sem lógica alguma, ele pelo menos tem a bondade de desenvolver a cena para apelar para o espectador. Neste caso não: são mais de trinta cenas de trepadas e a maioria delas dura cinco segundos. Então, se não faz bem para a história e não funciona nem como exploitation, qual o objetivo? Mostrar a degradação moral dos alemães? É bom notar que as mais taradas são as fanáticas pelo nazismo, enquanto as únicas três moças que são mandadas para a batalha contra a vontade são virgens puras e castas. Ou seja, a guerra é retratada sob o ponto de vista de um slasher, onde o sexo é usado para apontar quem é maligno. Será que os roteiristas acharam que o público exploitation ficaria escandalizado apenas com sexo casual? Eu, pelo menos, só fiquei curioso para saber onde é este batalhão para poder me alistar.
O filme começa em uma escola, onde um grupo de mulheres passam por exames médicos para poderem entrar para o exército alemão. Obviamente todas elas são jovens, gostosas e precisam fazer o exame completamente nuas. São mandadas para uma base onde auxiliam na comunicação dos soldados e trepam bastante. E é isso! Por uma hora e vinte minutos, o filme não mostra uma trama muito mais consistente do que isso. Apenas nos quinze minutos finais é que as coisas começam realmente a acontecer com mais ritmo e o filme realmente começa a mostrar a que veio. Mas a maior parte da projeção é dedicada a personagens com pouca ou nenhuma personalidade fazendo nada de interessante, e resta tentar acompanhar algumas poucas tramas menores que surgem esporadicamente.
Uma delas é realmente interessante, envolvendo um médico (Carl Möhner) que falsifica laudos para incapacitar mulheres de irem à guerra, e como consequência tem as filhas mandadas para o front. Uma delas, Eva (Karin Heske), é estuprada durante uma batalha e depois acusada de deserção. A outra, Marga (Elisabeth Felchner), tem seu amante fuzilado pelas tropas e só pode assistir impotente. Se o roteiro fosse mais interessado, o espectador realmente se importaria com estas histórias. Mas ele nem se preocupa em explicar o destino da moça estuprada, e nem ao menos quem é o tal amante que é fuzilado. Sério, não sabemos quem ele é, de onde veio ou como conhece Marga.
Como eu mencionei, o fato de ser feito numa época em que o gênero não estava consolidado, dá alguma originalidade a Fräuleins... . Um detalhe curioso é o fato de não haver campos de concentração, bordéis ou heróis judeus ou americanos na trama. Todos os personagens são nazistas "a serviço da nação", alguns obedecendo cegamente os mandamentos de Hitler, e alguns outros questionando a sua posição no mundo.
Mas se o roteiro (do próprio diretor, baseado no livro de Karl-Heinz Helms Liesenhoff) é horrível, o elenco está acima da média, e é composto de beldades do mais alto calibre, com destaque para a ruivíssima Renate Kasché, que depois faria Emanuelle in America. Ela tem o personagem mais bem desenvolvido do filme, uma mulher que, depois de descobrir que tem uma doença terminal, resolve assumir a identidade da irmã gêmea e ir para a guerra. Já outros personagens são ridículos, com destaque para a médica lésbica que tira uma casquinha de todo o batalhão de mulheres.
90% do filme é dedicado à rotina deste tal batalhão, mas são poucas as situações realmente interessantes que ocorrem. São mulheres operando telefones aqui, outras fazendo uma festa lá, as inevitáveis cenas de chuveiro, muita sacanagem e muitos diálogos idiotas. Já quando a trama passa para o campo de batalha, a coisa esquenta, e temos cenas de ação realmente bem feitas, pelo menos em comparação com o que se está acostumado no gênero. E então, nos 20 últimos minutos, a história dá uma acelerada, e relega tudo o que poderia ter sido feito durante o filme inteiro a um corrido ato final. Temos batalhas contra tanques, fuzilamentos, fugas, e em no finalzinho as mulheres do batalhão são seqüestradas e mantidas dentro de uma igreja, e cabe aos soldados resgatá-las.
Aí vai a pergunta: porque não utilizaram isso tudo desde o início? Nestes últimos 20 minutos, tem material para um longa inteiro, mas o roteiro preferiu se focar em cenas inúteis, que não servem nem para "explorar" nem para contar a história.
Mas estamos falando de nazi-exploitation, e se o filme te mantém entretido já é um lucro. Se falha como cinema, Fräuleins... pelo menos é um guilty pleasure, e você pode passar uma boa hora e meia rindo do ridículo das cenas e de como todas as mulheres do exército são retratadas como nifomaníacas descontroladas. E se é difícil se excitar com as cenas de sexo mais rápidas que a luz, ainda dá para dá umas boas risadas com a idiotice geral, até porque qualquer coisa é motivo para afogar o ganso. Imaginar que o filme foi feito por um alemão só deixa a coisa mais engraçada, pois ele teve a coragem de fazer piada (intencional ou não) com um dos momentos mais sombrios da história do próprio país e ainda conseguir uns cobres para isso.
E eu posso até ter vergonha de admitir que já vi este filme várias vezes. Mas o nome do meu blog me denuncia.
NOTA: Eu não sou o único que gostou das cenas de batalha do filme. Bruno Mattei aparentmente adorou mais ainda, tanto que no seu Garotas da SS ele simplesmente cortou a batalha deste filme e colou no seu!
Ponto alto: o nível técnico é acima da média para este tipo de produção
Ponto baixo: cenas tedioooooosas se amontoam durante mais da metade da projeção
Títulos alternativos:
Eine Armee Gretchen
Frulein Without a Uniform
She Devils of the SS
Como faço para encontrar esse filme fantástico? Aliás, seu blog é fenomenal.
ResponderExcluirOi, cara! Valeu pelos elogios ao blog, espero continuar agradando :)
ResponderExcluirEu encontrei esta pérola no bom e velho emule. Parece que não existe em torrent ou rapidshare em parte alguma, e importar o DVD americano sai uma fortuna.