
Com: Helmut Berger (Helmut Wallenberg), Teresa Ann Savoy (Margherita), Ingrid Thulin (Kitty Kellerman), Tina Aumont (esposa de Wallenberg)
Drigido por: Tinto Brass
Sinopse: O dia a dia no maior bordel da Alemanha nazista, criado para monitorar os oficiais do Terceiro Reich.




Depois de analisar vários filmes menores e mais fraquinhos, já passou da hora de voltarmos nossos olhos para um certo filmaço feito em 1976, com direção, elenco e roteiro de primeira, e que tem uma produção extraordinariamente luxuosa para um subgênero conhecido por sua pobreza de recursos (o que não é necessariamente ruim, conste). E, acima de tudo, o filme que, junto a Ilsa: She Wolf of the SS, serviu para dar forma ao nazi-exploitation, e que apresentou o clichê mais imitado do gênero: o bordel nazista.
Feito três anos antes de Calígula, o filme mais famoso do diretor Tinto Brass, Salon Kitty rompeu as barreiras entre o nazi-exploitation e o cinema mainstream de uma forma que nunca encontrou paralelos. Mostrou, acima de tudo, que um nazi-exploitation não precisa ser barato e relegado ao ridículo: pode ser elegante, pomposo e bem polido, sem precisar abrir mão da violência e erotismo que o caracterizam. Tanto que muitos exitam em aceitá-lo no gênero, preferindo encaixá-lo ao lado de filmes maiores como Os Deuses Malditos e O Porteiro da Noite, mais reconhecidos como dramas "sérios". Como os três estão entre meus filmes favoritos, eu gosto desta classificação. Mas para mim, Salon Kitty tem mais haver com obras como Ilsa e Fräuleins in Uniforms, além das dezenas de outros que vieram após.
Prepare seus suspensórios, seus dardos e seu estômago, estamos entrando no Salon Kitty!
O elemento central do filme é o oficial nazista Helmut Wallenberg (interpretado por um infernal Helmut Berger), que recebe do alto comando a tarefa de criar um bordel com as mais belas e fiéis moças do Terceiro Reich, e treiná-las para arrancar dos altos oficiais qualquer possível plano de traição contra o nacional-socialismo.
Para tanto ele ocupa o bordel de Madame Kitty Kellerman (Ingrid Thulin, que interpretou a mãe de Berger em Os Deuses Malditos), que deve, a contragosto, demitir todas as suas moças e substituí-las por aquelas que passarem nos testes preparados por Berger (mais sobre isso abaixo).
Entra em cena Margherita (a maravilhosa Teresa Ann Savoy), que, apaixonada pelo nazismo, abandona a casa dos pais para servir como prostituta no Salon Kitty. A partir daí o filme passeia pelo dia a dia na casa, observando as perversões dos poderosos oficiais de Hitler. Mas quando Hans (Bekim Fehmiu), um cliente por quem Margherita se apaixona, acaba morrendo em batalha, ela se revolta, e junto com Kitty planejam derrubar Wallenberg.
Depois de Salon Kitty, o nazi-exploitation não seria o mesmo. Primeiramente porque a trama do bordel nazista foi reutilizada em abundância no gênero. Bruno Mattei o refilmou como SS Grils, e Fabio de Agostini criou sua própria versão com Red Nights of the Gestapo. O bordel apareceu também em Nazi Love Camp 27 e Hitler's Last Train, entre outros.
Outro fato curioso o é o elenco, de onde saíram diversos atores que voltariam ao gênero nazi-exploitation. Entre eles John Steiner e Sara Sperati (Deported Women of SS Special Section); Luciano Rossi e Paola Maiolini (Red Nights of the Gestapo); Margherita Horowitz (Nazi Love Camp 27), Malisa Longo (Elsa Fräulein SS e Helga, She Wolf of Spielberg), Tamara Triffez (SS Girls), e estes três abaixo, que merecem destaque especial.

Lembra lá atrás, no meu artigo sobre Beast in Heat, quando comentei que Sal Boris fazia um papel parecido com o mutante estuprador? Bem, posso ter fantasiado um pouco, mas o fato é que o nosso neanderthal preferido fez sua estreia no cinema erótico-nazista em Salon Kitty, na infame cena das celas, onde as aspirantes a prostitutas são forçadas a copular com todo o tipo de aberração. Sal é uma delas. É curioso como um ator que abertamente ficou conhecido por sua feiúra acabou conseguindo se dar tão bem com as damas...Reconhece o vesgo acima? É ninguém menos do que Aldo Valetti, que ficou conhecido no seu papel como o Presidente Curval em Salò, um dos vilões mais filhos da puta já criados. Aqui ele praticamente reprisa o seu papel, como um dos clientes do Salon Kitty que adora jogar dardos em áreas curiosas da anatomia feminina. O melhor de tudo é que, se quiser, você pode fingir que o personagem é mesmo o Presidente Curval, tirando umas férias na Alemanha e fazendo o que você espera que o Presidente Curval faça: sendo um filho da puta.
A falecida Tina Aumont, que voltaria ao gênero em Holocaust part 2, faz o meu personagem preferido em Salon Kitty: a esposa reprimida de Wallenberg, que é ordenada a fazer sexo com Margherita e acaba gostando da experiência. Com sua beleza particular, e sem dizer uma palavra, ela acaba roubando o show.
Em uma palavra: imperdível. Mesmo se não for fã do gênero, vale a pena dar uma chance a Salon Kitty, que funciona tanto como "arte" como para quem procura um bom nazi-exploitation.
Ponto alto: a produção, o elenco, o roteiro, a direção...
Ponto baixo: não chega a comprometer, mas para o filme ser perfeito só faltou ser falado em alemão.
Títulos alternativos:
Madam Kitty
Salão Kitty


Concordo completamente "para o filme ser perfeito só faltou ser falado em alemão."
ResponderExcluirCara, muito foda suas criticas, continue postando sempre, valeu!
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