quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Zombie Lake (1981)




Com: Howard Vernon (Prefeito); Pierre-Marie Escorrou (soldado), Anouchka (Helen)
Dirigido por: Jean Rollin

Sinopse: Pequeno vilarejo francês é atacado por horda de zumbis nazistas



Estava com este filme no computador há um tempão, mas só agora fui tomar coragem de assistir. Esperava que a ideia de juntar zumbis e nazi-exploitation, dois de meus subegêneros preferidos, poderia resultar em algo como o divertidíssimo Dead Snow, mas com aquele clima do cinema grindhouse dos anos 80. Parecia realmente promissor...

Bem, digamos que Zombie Lake não é exatamente o tipo de filme que eu tinha em mente... ou pode até ser, mas não da forma que eu esperava. Os ingredientes estão lá: produção pobre, maquiagem mal feita, momentos ridículos, personagens idiotas e zumbis. Tudo o que se precisa para fazer um bom filme ruim, certo? Só é uma pena que o mais importante não está presente: diversão.

Foram poucas as vezes que eu vi um filme tão descuidado, onde NADA parece funcionar direito. É incrível, mas parece que ninguém, do diretor Rollin até a moça que servia o cafezinho, sabia o que estava fazendo! Mesmo Howard Vernon, que costuma se salvar nos piores filmes em que participa, está apagadíssimo. Zombie Lake está entre as maiores podreiras dos dois gêneros que abraça, e é só dar uma navegada neste blog para perceber que isso não é pouca coisa.

O filme se passa num vilarejo qualquer na França, onde o prefeito anônimo (Vernon, que é a cara de um professor de física que eu tive no segundo grau) está se às voltas com o desaparecimento de diversas mulheres, na área próxima a um lago nos confins da vila. Primeiro some uma moça solitária, depois um time de voleibol feminino inteiro. A cidade começa entrar em pânico, e uma repórter (atriz não devidamente creditada...) chega para fazer uma matéria sobre o assunto.

Ela procura o prefeito, que lhe conta a história de por que o lago é considerado amaldiçoado. Corta para um looooongo flashback durante a Segunda Guerra, quando um batalhão nazista passa pelo vilarejo e, durante um bombardeio, um dos soldados (Pierre-Marie Escourrou) salva uma moça (Nadine Pascal, de Elsa Fraulein SS). A moça, em agradecimento, abre as pernas pro soldado, que a engravida e vai embora, lutar numa região nevada (que me fez tristemente lembrar que poderia estar revendo Dead Snow no lugar disso). Nove meses depois, a guerra acabou, e o pelotão está voltando para casa, e passsa pelo vilarejo. Lá, o soldado anônimo descobre que a sua amada está dando a luz a uma menininha, Helen (Anouchka, filha de um dos produtores).

Mas as coisas não terminam bem: a mãe morre no parto e o batalhão é pego de surpresa por membros do vilarejo, liderados pelo prefeito, que os cercam com espingardas e disparam. Nenhum dos tiros acerta os soldados, mas todos eles acabam tendo um infarto coletivo e morrem. Seus corpos são jogados no lago, e nunca mais se fala no assunto.

Volta para o presente (e eu já tinha até esquecido que estávamos num flashback), e o prefeito conclui sua história dizendo que não passa um dia sem que pense na covardia dos seus atos, e sofra de remorso. Bem, ele não teve problemas nenhum para contar a história para uma mulher que acabou de conhecer...

Os zumbis nazistas voltam a se erguer do lago para devorar os vivos. Vamos falar um pouco da maquiagem dos zumbis. Eu imagino que após anos apodrecendo no fundo de um lago, um cadáver fique bem decomposto. Mas parece que o lago em questão está cheio de formol em vez de água, uma vez que estes são os zumbis mais conservados que eu já vi. O único dano que sofreram, aliás, foi ficar com o rosto (e apenas o rosto) completamente verde.

Os zumbis espalham o horror no vilarejo. Mas, naquele que talvez seja o momento mais embaraçoso da história dos filmes de zumbi, o zumbi de Jean-Pierre Escorrou reconhece sua filha, e ao invés de devorá-la, resolve passar um "momento Kodak" com ela. Zumbis que respeitam laços familiares? Com Romero isso não funcionava...

O prefeito resolve usar a pequena Helen para atrair os zumbis, para que os cidadãos, com o auxílio de um lança-chamas (sabe-se lá onde consseguiram um) destruam os monstrengos. O plano dará certo, ou será que a garotinha se recusará a mandar o querido papai para o além?

Zombie Lake tem, afinal de contas, alguns momentos engraçados de tão trash. Um bom exemplo é o discurso do prefeito para seus cidadãos: "Devemos encarar o fato de que os zumbis declararam guerra contra nós. Aqueles policiais foram céticos. Nosso destino está nas nossas próprias mãos agora. Temos que arrumar um jeito de salvar nossa cidade dos loucos zumbis assassinos." Ei, com um slogan desses, eu poderia me candidatar a prefeito na França, e ganhar!

Mas estas poucas cenas engraçadas (outras incluem a hilariante morte da repórter, e um close enorme no rosto de um garoto enquanto o cameraman não se dá conta de que a tomada terminou) estão espaçadas por longos momentos tediosos, que compromentem e muito a diversão, e o que poderia ser um clássico do cinema ruim acaba sendo apenas uma produção francamente entediante e enfadonha. Prova que até para ser bom de tão ruim é necessário algum esforço.

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