
Com: Gabrielle Carrara (Hans Schellenberg); Macha Magall (Madame Eva); Marina Daunia (Frau Inge)
Dirigido por: Bruno Mattei
Sinopse: O coronel Hans Schellenberg recebe do alto comando a tarefa de criar um bordel para espionar oficiais da SS.




Tá legal, existe plágio, existe plágio e existe refilmagem. E não importa o quanto insistam, para mim SS Girls é mais refilmagem de Salon Kitty do que A Hora do Pesadelo do Bayer o é do filme de Wes Craven. Uma refilmagem mais curta, com menos dinheiro e com um outro final, mas ainda assim uma refilmagem.
Bordel? Está lá. Oficial nazista excêntrico? Está lá. Mulheres induzidas ao sexo lésbico? Graças a Deus está lá. Tortura sexual envolvendo um anão, bondage e Sal Boris? Até isso está lá! Sim, SS Girls pode ter alguns personagens originais, algumas situações novas e a já citada conclusão diferente, mas no fim das contas não faz diferença. Exceto, é claro, se você considerar a mudança de diretor de Tinto Brass para Bruno Mattei. E, acredite, isso não é uma coisinha à toa!
O filme começa (depois de créditos iniciais que lembram um filme da Família Adams) com Hans Schellenberg, o Helmut Wallenberg dos pobres, recebendo uma visita em sua casa enquanto toca o órgão. Ele recebe uma missão, que todos nós conhecemos de cor: criar um bordel para espionar os oficiais da SS. (Nota: nunca entendi se a razão para a criação do bordel foram os atentados arquitetados por Claus von Stauffenberg, simplesmente porque o próprio coronel Stauffenberg aparece mais tarde no filme...) Vale dizer que a atuação de Gabrielle Carrara como Schellenberg tenta, a todo momento, emular a fantástica performance de Helmut Berger em Sallon Kitty, mas o resultado se assemelha mais a Crispin Glover expelindo uma pedra nos rins.
Então Schellenberg, com a ajuda de madame Eva (a madame Kitty dos pobres, interpretada pela gostosona Macha Magall, de Beast in Heat) deve recrutar e treinar as prostitutas. Essa é, de longe, a cena mais interessante do filme, não porque seja particularmente bem feita, mas porque é absurdamente chupada da cena idêntica em Salon Kitty! Não só as provações sexuais são as mesmas (apenas com a adição de um cachorro), mas uma das provas envolve um rala-e-rola com a própria "besta no cio", Sal Boris em pessoa!
Bem, bordel montado, começam as missões de Schellenberg. Auxiliado por Eva e por Frau Inge (Marina DAunia, que, assim como Carrara voltaria à batuta de Mattei em outro nazi-exploitation, Women's Camp 119) Schellenberg oferece diversão aos oficiais, e acaba descobrindo uma conspiração para matar Hitler. É aí que entra a "operação Valquíria" de Bruno Mattei. Fala sério, se o coronel interpretado por Eollo Capri não é Stauffenberg, eu quero saber quantos oficiais de um olho só planejavam matar Hitler...
Ah, e quando eu digo "oferece diversão aos oficiais", não imagine alguma coisa como Salon Kitty, onde havia música, dança e todo tipo de jogos para os oficais antes de levar as moças para a cama. Na "casa privada da SS", o máximo que você consegue é um jantar e uma mesa de sinuca.
Não vou estragar aqui contando o final do filme, mas digo apenas que ele se destaca da ruindade do resto, por oferecer uma conclusão realmente corajosa e até poética. Mas sem deixar de lado a picaretagem: se você já viu Fräuleins in Uniforns (e eu vi os dois filme no mesmo dia) vai ver que Bruno Mattei deu um ctrl+c ctrl+v nas cenas de batalha do filme de Erwin Dietrich (estratégia típica do velho Bruno).
Sem vergonha e cara de pau, SS Girls ainda tem alguns bons momentos, e não é tão ruim quanto alguns filmes já criticados neste blog. Seu fator trash traz alguma diversão, mas ainda assim sempre prefira Salon Kitty. E esperem a crítica de outro nazi-exploitation do titio Mattei...
Títulos alternativos:
Private house of the SS
Casa privata per la SS
Saudoso Bruno Mattei, sempre mandando bem com suas "refilmagens disfarçadas" de "ótimo nível".
ResponderExcluir