
Com: Anna Magnani (Flora Torres), Rosita Pisano (Cristina), Massimo Ranieiri (Tonino)
Dirigido por: Alfredo Gianetti
Sinopse: A sciantosa Flora Torres é chamada para alegrar as tropas no front durante a Primeira Guerra Mundial, e acaba enfrentando um dilema moral ao testemunhar os horrores da guerra.




Muitas décadas antes dos famosos Chuck Norris Facts, um antigo provérbio já dizia que Anna Magnani, romana nascida em 1908 e morta em 1973, mais do que uma simples atriz era uma força da natureza. E de fato, nenhuma atriz de cinema chega aos pés de La Magnani. Se você não conhece esta maravilhosa mulher, vá agora mesmo atrás de Mamma Roma, Belíssima, Roma: Cidade Aberta, A Rosa Tatuada, O Amor ou o objeto deste texto, La Sciantosa.
La Sciantosa faz parte de um projeto criado pelo diretor e roteirista Alfredo Gianetti para a TV italiana. O objetivo era percorrer cem anos de história italiana através de três telefilmes, todos estrelando Anna Magnani. Os outros dois são 1943: un incontro (que ao seu tempo estará no blog) e L'autmobile.
Neste primeiro episódio, Anna interpreta Flora Torres, uma "sciantosa" (espécie de diva de palcos pequenos) que está esquecida durante a Primeira Guerra Mundial e vive apenas de recordações dos seus dias de glória. Sua empregada Cristina (interpretada por Rosita Pisano) mantém a casa contrabandeando alimentos às escondidas junto ao marido, que também trabalha no local.
Eis que um dia Flora recebe uma carta para se apresentar ao alto comando. A princípio com medo de ser presa, ela fica aliviada e satisfeita ao saber que está sendo chamada para o front para fazer um show e alegrar as tropas.
Flora então parte junto com Cristina para o front. Lá são recepcionados pelo jovem soldado Tonino (Massimo Ranieri). Flora chega com ares de estrela e começa a fazer exigências absurdas para o comando, para a sua empregada e para a banda encarregada de acompanhá-la.
Tudo se encaminha para um maravilhoso clímax quando Flora, vestida na bandeira italiana, fica muda sobre o palco ao ver os soldados feridos e mutilados na batalha. Está cena é fantástica e sozinha vale o filme.
A direção de Gianetti (oscarizado pelo roteiro de Divórcio à Italiana) é segura, e o roteiro de sua autoria foi modelado especialmente para Anna. O resultado é formidável: o diretor sabe desde o princípio quem irá comandar o filme, e a deixa fazer sua mágica.
Tudo termina com um violento ataque das tropas inimigas, com uma conclusão amarga e triste. Devo dizer que a última cena não me agrada muito, pois prefereria algo mais em aberto e menos brusco. Mas este é um daqueles casos em que a viagem vale mais que o destino. Ainda mais acompanhado por La Magnani.
Ponto alto: as cenas com os soldados feridos são de quebrar o coração.
Ponto baixo: Massimo Ranieri não é mal ator, mas está muito aquém do nível da protagonista.
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