
Com: Dyanne Thorne (Ilsa); Gregory Knoph (Wolfe); Maria Marx (Anna)
Dirigido por Don Edmonds
Sinopse: Ilsa é a mulher mais perversa do III Reich, e comanda um campo onde pratica cruéis experimentos, ao mesmo tempo que seduz diversos dos seus prisioneiros



Chegamos, enfim, àquele que, para muitos, é o maior exemplar de nazi-exploiyation já produzido. Embora não seja o primeiro, Ilsa, She Wolf of the SS é aceito como o filme que estabeleceu as regras do gênero. Pessoalmente, não é o meu favorito (difícil superar Salon Kitty, Nazi Love Camp 27 e Gestapo's Last Orgy) mas concordo com a opinião geral: se não fosse por Ilsa, o gênero teria morrido sem sequer ter se desenvolvido direito.
Aqueles que acompanham um blog informativo como o Fräuleins sem Uniforme, devem saber a esta altura, que antes de Ilsa e Salon Kitty, o gênero sobrevivia com alguns exemplares escassos. Em 69 vieram Love Camp 7 e The Cut-Throats, dois filmecos chatos e sem graça, que não apontavam um caminho promissor. Alguns exemplares escassos apareciam aqui e ali, até que Don Edmonds lançou seu clássico exploitation, baseado (beeeem livremente) na figura real de Ilse Koch, uma das mulheres mais cruéis do III Reich, estrelando Dyanne Thorne, que se tornaria a maior musa do gênero. Depois de Ilsa: She Wolf of the SS e Salon Kitty (que seria lançado no ano seguinte), o cinema erótico de guerra atingiria seu ápice, culminando no seu ano de ouro, 1977, quando pelo menos vinte produções do gênero foram lançadas.
O filme se passa num campo de prisioneiros de guerra (não judeus) na Alemanha nazista, sob comando da perversa Ilsa (Thorne), uma sádica cientista no estilo Dr. Megele, que faz as experiências mais cruéis com as moças do campo. Além disso, ela tem a tradição de levar os prisioneiros homens para a cama e, se não for satisfeita, manda castrá-los.
Eis então que chega um novo carregamento de prisioneiros ao campo. Entre eles, dois se destacam. Uma é Anna (Maria Marx), uma moça incapaz de sentir dor, e que se torna alvo das torturas mais sádicas de Ilsa. O outro é Wolfe (Gregory Knoph), um corajoso soldado aliado, por quem Ilsa se sente atraída logo de cara.
Conversando com um dos prisioneiros, Binz (o falecido George "Buck" Flower, que já esteve em mais de uma centena de filmes), Wolfe descobre a obsessão de Ilsa em encontrar um homem que a satisfaça completamente, e vê nisso o meio ideal para escapar do lugar. Acontece que Wolfe tem uma "anomalia", que faz com que seja capaz de satisfazer qualquer mulher pelo tempo que desejar.
Ilsa encontra em Wolfe o homem perfeito, e se recusa a executá-lo. Ela prossegue nos seus experimentos macabros, que envolvem câmaras de descompressão que explodem uma prisioneira (Uschi Digard, de The Cut Throats) e outras abominações. Em certo momento, o campo recebe a visita de um general (o hilariante Richard Kennedy, que voltaria na seqüência, Ilsa, Harem Keeper for the Oil Sheiks, em um papel diferente), que rende uma das cenas mais absurdas do longa, quando exige que Ilsa lhe faça um "chuveiro dourado". Vale dizer também que a dado momento, Ilsa, para entreter seu convidado, monta um espetáculo que seria copiado/homenageado mais tarde na série Jogos Mortais, quando uma moça tem uma corda amarrada no pescoço enquanto tem que ficar de pé sobre um bloco de gelo, até que suas pernas adormeçam pelo frio, e ela morra enforcada.
Wolfe planeja, junto aos outros prisioneiros, um levante no campo. O clímax do filme se dá com a destruição do campo, e a maneira como obtiveram permissão de incendiar o cenário merece menção: acontece que o filme foi rodado no mesmo campo de prisioneiros cenográficos utilizado no clássico seriado Guerra, Sombra e Água Fresca. Quando a série foi cancelada, o estúdio recebeu ordens de demolir o cenário, quando alguém teve a ideia de filmar a destruição do cenário e aproveitar o realismo disso num filme. Este foi o embrião do roteiro de She Wolf of the SS.
Dyanne Thorne está ótima no papel de Ilsa, canastrona e com um sotaque impagável. Difícil imaginar outra atriz no papel, apesar de Phyllis Davis ter sido a escolha original. Thorne reprisaria o papel de Ilsa em duas seqüências oficiais (Harem Keeper for the Oil Sheiks e Tigress of Siberia) e uma não-oficial (Ilsa, the Wicked Warden), que estabeleciam Ilsa em diferentes lugares do mundo, e depois sumiria do cinema. Hoje administra uma capela em Las Vegas junto a seu esposo e, ao contrário de tantas outras atrizes, não tem problemas em discutir seu passado exploitation com os fãs. Aparte da série, seu melhor papel foi na comédia Real Men, onde interpreta o pai transexual de James Belushi!!!
She Wolf of the SS é um filme brutal, grotesco e perverso até a medula. Mas mesmo assim, muito divertido. O equilíbrio entre as torturas e a diversão camp é bem dosada, culminando num produto que pode ofender aos mais sensíveis, mas entretem os iniciados. Além, é claro, de ser indispensável para quem quer entender o nazi-exploitation.
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