Com: Burt Lancaster (Labiche), Paul Askonas (Von Waldheim), Jeanne Moreau (Christine), Michael Simon (Papa Boule)Dirigido por John Frankenheimer



O fogo no museu do Louvre está fora de controle, e você tem que escolher entre salvar a Mona Lisa ou uma caixa cheia de filhotes de gatinhos. O que você escolheria: a arte ou a vida? A representação ou o real? Esta questão nunca foi tão bem representada quanto neste filme de John Frankenheimer chamado O Trem.
Se você se guiar pela sinopse do DVD do filme e a capa, que traz Burt Lancaster disparando uma metralhadora, tendo ao fundo um trem nazista em chamas, provavelmente vai se decepcionar. O Trem não é um filme de ação, e eu diria que é muito mais que um filme de guerra. É, na verdade, uma obra filosófica, e que propõe questões que vão além daquele período específico.
Paul Askonas interpreta Von Waldhein, um oficial nazista obcecado por arte, que vê no fim da guerra uma oportunidade para contrabandear centenas de pinturas inestimáveis para a Alemanha. Para tanto, contrata os serviços do ferroviário Labiche (o insuperável Lancaster), e freta um trem para transportar as telas até seu refúgio. Mas, sem que Von Waldheim saiba, Labiche faz parte da resistência francesa contra o nazismo, e recebe a missão de impedir que as obras cruzem a fronteira com a Alemanha.
Mas Labiche tem outros problemas. Como membro da resitência, ele precisa interceptar carregamentos de armas, entre dezenas de outras missões que julga mais importantes do que salvar algumas pinturas. Labiche é um homem que não entende a arte, e portanto não vê propósito na missão. Von Whaldein, ao contrário, tem aquelas telas como o propósito de sua vida, e passará por cima de tudo para tê-las sob seu poder.
O filme possui um roteiro simples, que pode ser resumido nas diversas tentativas de Labiche para frustar os planos de Von Waldheim sem que este desconfie. Mas a medida que a história prossegue, as pessoas ao seu redor começam a morrer como moscas, até o ponto em que o espectador é trazido de volta àquela velha questão: a Mona Lisa ou o cesto de gatinhos?
O Trem é um filme único, por se utilizar daquele período específico (a Segunda Guerra) para trazer questionamentos universais. Vale dizer também que o filme faz uso de trens reais, o que confere um realismo impressionante à obra. Segundo o diretor Frankenheimer: "Eu queria todo o realismo possível. Não há truques neste filme. Quando trens colidem, eles são trens reais. Não há substituto para este tipo de realidade."
E fica na cabeça a imagem final, onde o amontoado de cadáveres fica em contraste às caixas contendo as obras de Renoir, Van Gogh, Picasso e tantos outros. Pode uma obra prima valer mais do que um ser vivo, afinal de contas?
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