


Uma das belezas mais intensas do cinema nazi-exploitation, Sirpa Lane foi, talvez, a grande musa não-reconhecida do gênero. Esta finlandesa estonteante estrelou apenas um filme do gênero, Nazi Love Camp 27, mas sua performance foi arrebatadora, trazendo um equilíbrio entre sensualidade e emoção que leva o filme a um patamar dramático raramente encontrado no cinema erótico de guerra.
Sirpa Lane nasceu na cidade finlandesa de Turku, em 1952, com o nome de Sirpa Salo. É difícil encontrar qualquer informação sobre sua vida antes de entrar para o mundo de cinema. O que se sabe foi descoberta na Suécia, pelo fotógrafo David Hamilton e foi entregue ao cineasta Roger Vadim, que seria seu mentor e pigmaleão, que a visava como "a nova Bardot". Em 1974 Sirpa estrelou A Jovem Assassinada sob a tutela de Vadim. Seria o único filme que fariam juntos. No ano seguinte, ela estrelaria aquele que talvez seja seu filme mais famoso, de Walerian Borowczyk, produção que mescla horror, erotismo e contos de fada em um resultado realmente bizarro e fascinante.
Mas embora La Bête seja seu filme mais lembrado, seu grande personagem foi, sem dúvida, a judia Hannah Meyer, em Nazi Love Camp 27, dirigido por Mario Caiano. Personagem mais complexa num gênero não exatamente conhecido pelo foco dramático, Hannah vai de prisioneira num campo de concentração a dona do maior bordel da Alemanha nazista. Um papel complicado, tanto pela sua dualidade como pelas difíceis cenas eróticas, que incluíam sexo explícito. Uma simples performer de filmes adultos não seria capaz de fazê-lo, tampouco uma atriz comum. Foi preciso uma personalidade única com Sirpa, que fez um verdadeiro clássico daquilo que poderia ser mais um filme do gênero.
Sirpa ainda estrelaria filmes sob a batuta de Joe D'Amato e Andrea Bianchi, até se aposentar do cinema em 1983. Em 1999, morreria em consqüência da AIDS. Permanece na memória como um talento desperdiçado, não a "nova Bardot" envisionada por Vadim, mas ainda assim uma atriz completíssima.
0 insurreições:
Postar um comentário