quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Espiã (2006)


Dirigido por: Paul Verhoeven
Elenco: Carice van Houten (Rachel Stein, Ellis de Vries); Sebastian Koch (Ludwig Müntze); Thom Hoffman (Hans Akkerman), Halina Reijn (Ronnie)




Você quer saber o que aconteceria se reuníssemos elementos clássicos do cinema nazi-exploitation (você sabe: heroína judia que perde a família, nudez gratuita, violência, amor entre vítima e carrasco) e entregássemos para um cineasta de primeira? O resultado com certeza seria algo muito próximo de A Espiã.

Este filme é um caso interessante no cinema de guerra: mesmo sem jamais ter procurado qualquer aproximação intencional com o nazi-exploitation, tem toda aquela aura dos filmes mais classudos que abordam o gênero, com uma farta dose de sexo e violência. Com certeza se fosse feito na Itália nos anos 70 por alguém como Fabio de Agostini ou Tinto Brass, estaria hoje em algum lugar entre O Porteiro da Noite e As Noites Rosas da Gestapo.

Seja como for, A Espiã é um filmaço, e merece estar na lista dos melhores filmes de guerra feitos neste novo século. Paul Verhoeven resolveu voltar para a Holanda depois do fraco O Homem sem Sombra, para assumir a cadeira de diretor neste projeto, que vinha sendo cozinhado desde a época em que fez O Soldado de Laranja, lá em 1977. Assim, assumindo também o roteiro ao lado do parceiro de longa data Gerard Soeteman, fez este que é o filme mais caro já produzido nos Países Baixos.

A Espiã conta a história da judia Rachel Stein (a linda, maravilhosa, bonita, gostosa e cheirosa Carice van Houten). A princípio se escondendo dos nazistas, ela resolve fugir para a Bélgica junto à sua família numa balsa noturna cheia de outros judeus foragidos. Mas a barca é surpreendida e todos à bordo são metralhados. Rachel consegue fugir e, com a ajuda da resistência, assume o nome de Ellis de Vries, e começa a trabalhar para a resistência, a princípio apenas como figurante. Mas durante uma viagem de trem ela acaba se envolvendo com o oficial Lüdwig Müntze (Sebastian Koch, que namorou Carice na vida real), e é enviada para espioná-lo. Para completar o quadro, há o médico Hans Akkremans (Thom Hoffman), líder da resistência, que forma a terceira ponta deste estranho triângulo amoroso.

Parece simples não? Mas o grande trunfo de A Espiã é nunca ser maniqueísta: os nazistas não são todos maus, nem os judeus são todos bonzinhos. O filme não aponta heróis ou vilões com clareza, e não raro as coisas mudam completamente de lado.

Ponto também para o excelente elenco. Carice, além de linda, está pefeita no papel, e é impossível imaginar mais alguém como Ellis de Vries. Portanto é uma pena que sua carreira em Hollywood não tenha decolado ainda, e ela não tenha conseguido, na terra do Tio Sam, papéis que se comparassem a este. Além disso, o casting incluí a bela Halina Reijn, e os ótimos Waldemar Kobus (que sempre faz o papel de nazista) e Christian Berkel (de Bastados Inglórios). Vale dizer que todos os citados neste parágrafo conseguiram também papéis no Operação Valquíria de Bryan Singer, aquele com Tom Cruise no papel de Claus von Stauffenberg, e que o próprio Sebastian Koch já interpretou Stauffenberg em um filme feito para a TV alemã.

Um grande filme, seja para quem aprecia uma boa história, seja para quem quer ver algumas fräuleins sem uniforme...

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