


Com: Bob Cresse (Comandante), Maria lease (Linda Harman); Kathy Williams (Grace Freeman)
Dirigido por: Lee Frost
Aqui nas minhas terras existe uma expressão que eu sempre achei muito curiosa: "você fez isso igual ao seu nariz". Eu nunca entendi de onde veio isso (ecos de Gógol, quem sabe...), mas é muito útil. "Fazer algo igual ao seu nariz" significa "fazer nas coxas", ou "fazer mal-feito". Faz parte de uma longa série de regionalismos que eu adoraria discutir em outro momento. Mas como este é um blog sobre nazi-exploitation, vamos falar de um nazi-exploitation.
Bem vindos a Love Camp 7, um filme feito igual ao seu nariz!
Feito em 1969, Love Camp 7 foi o primeiro nazi-exploitation feito, ao menos oficialmente (ver o meu artigo sobre The Cut Throats). Produzido, escrito e estrelado por Bob Cresse (falarei deste magnânimo ser humano mais tarde) e dirigido por Lee Frost, Love Camp 7 fez história também por estar entre os primeiros Video Nasties (aquela lista de filmes banidos na Inglaterra). Mas é consenso geral que o filme é bobinho demais para figurar entre as barbaridades que os britânicos queriam longe de sua ilha.
Love Camp 7 é um filme horrível, então? Bem, "horrível" talvez seja exagero. Tolo, ingênuo e infantil talvez sejam adjetivos mais apropriados. Aí você pergunta "Pô, Matheus, mas como é que um nazi-exploitation pode ser considerado 'infantil'?". Bem, caro leitor, vamos analisar esta pérola para tentar compreender como uma produção cheia de violência e peitos de fora parece ter sido feita por um garoto de oito anos de idade.
O filme começa num escritório em Londres, onde dois veteranos (nomes dos atores e personagens me escapam) contam suas histórias de guerra. O mais jovem diz que lutou no Pacífico, enquanto o mais velho diz que não botou os pés no campo de batalha, mas que foi um dos responsáveis pela vitória Aliada, e decide contar sobre seus dias de espionagem. Corta para um flashback, onde uma dúzia de oficiais de diversas nações discutem os rumos da guerra. Entre eles, está o Major Juro-Que-Não-Sou-Ron-Jeremy abaixo.

O general (e me desculpem, mas é impossível dizer o nome dos atores e dos personagens que os interpretam) expõe o seguinte problema: um cientista alemão que estava desenvolvendo um novo tipo de avião invisível a radares acaba de morrer, e sua secretária, que tinha todas as informações sobre o projeto, foi mandada para um campo de concentração. O plano dos Aliados é enviar duas oficiais para se infiltrarem no campo, obterem as informações sobre o projeto e fugir de volta para a Inglaterra.
As escolhidas são Linda Harman (Maria Lease, que hoje escreve roteiros para Boston Legal!) e Grace Freeman (Kathy Williams). As duas são lançadas de paraquedas na França e são capturadas pela Gestapo, que lhes envia direto para o Campo do Amor nº 7, onde devem fazer contato com a tal secretária.
Quem leu minhas críticas anteriores, deve ter percebido que isso tudo está começando a soar um bocado parecido com Stalag 69. Pois o filme de Selrahc Detrevrep tem o exato mesmo plot de Love Camp 7 mas possui a imensa vantagem de conter sexo explícito. Na verdade, Stalag 69 é um típico exemplo refilmagem hardcore de um filme que já tinha originalmente bastante sacanagem. Mas vmaos seguir em frente.
As garotas são levadas ao campo e... tá legal, é o momento de introduzir Bob Cresse.O que dizer do cara? Você nunca, em momento nenhum, vai acreditar que ele é o vilão. É difícil até vê-lo como um militar. Ele simplesmente não se encaixa no papel. Ele faz o comandante de Prisoner of Paradise parecer Ralph Fiennes em A Lista de Schindler. E só não entra na história como o vilão mais ridículo do nazi-exploitation porque Charles Esser fez a bondade de estrelar Blitzkrieg: Escape from Stalag 69. E considerando que Bob Cresse também escreveu e produziu Love Camp 7, podemos concluir que o negócio do cara não era mesmo o cinema.
O restante do filme é praticamente isso: as garotas são enviadas para o campo, onde são estupradas, torturadas, sofrem exames médicos, humilhações e por aí vai. E como esta brutalidade toda não qualifica o filme como um Video Nastie? Ora, porque estas cenas são filmadas igual ao seu nariz! Não há nunca nenhuma atmosfera de ameaça, a violência é patética, as atuações são hilárias e o vilão... o vilão é Bob Cresse, pelo amor de Deus! O homem cujo apíce como ator foi intepretar o equivalente pornô do Sargento Garcia em As Aventuras Eróticas de Zorro!
Há ainda momentos que se tornariam clichês, como o nazista que se revolta contra os seus comandantes (presente em quase todos os filmes do gênero) e a orgia com oficiais nazistas pervertidos. Tudo segue para um clímax com um massacre de oficiais (dentro de um escritório, já que aparentemente o orçamento era curto demais para filmar um levante a céu aberto) e uma cena com um vilão cego perseguindo suas vítimas pelo som que, se eu não soubesse, juraria que foi copiado em Halloween 2...
No mais, um filme sem nenhum atrativo, e que seria facilmente esquecido se, por um golpe de sorte, não tivesse dado origem a todo um subgênero. Mas além da curiosidade de se ver um filme pioneiro do cinema erótico de guerra, não sobra praticamente nada em Love Camp 7. Um típico caso de alunos que superaram o professor.
Do diretor Lee Frost eu tenho vontade de ver o mais que improvável The Black gestapo!! Quanto aos termos regionais, aqui no Rio Grande do Sul a gente não usa o termo nariz, mas cara mesmo! Exemplo: Tu fez que nem tua cara!! Hehehe! Feliz ano novo!
ResponderExcluirValeu, BLOB. E se encontrar The Black Gestapo por aí não esqueça de me avisar, porque também estou caçando há decádas. Feliz 2011 para você também, e fique ligado, porque começo o ano com um artigo especial e novo em folha sobre meu filme preferido de todos os tempos.
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