
Eu tinha uma imagem bem clara na minha cabeça no que se referia a este filme chamado The Black Gestapo. E eu acho que esta é uma imagem que qualquer um teria em mente.

Atire a primeira pedra quem não pensou nisso!
Bem, como vocês podem imaginar, esta produção do infame Lee Frost (que nos entregou Love Camp 7) não é para qualquer um. Já o título é um estupro mental. O roteiro é uma loucura, basicamente a história de uma milícia que vai de protetores da comunidade até a chamada "Gestapo negra". Mas se você foi capaz de sobreviver a outros filmes narrados neste blog, provavelmente vai ter presença de espírito para encarar isso aqui. Vamos tentar?
O filme já começa mostrando a que veio. Na primeira cena, vemos dois mafiosos, Vito (Phil Hoover) e Delmay (Ed Cross) invadindo a casa de um pobre velho e cobrando a sua taxa de proteção. Vito e Delmay são brancos, e, como todos os brancos em filmes blaxploitation, eles são maus, asquerosos e sem nenhuma qualidade redentora. A interpretação dos dois, especialmente de Hoover, é hilária, e é uma pena que saiam de cena logo. Eles lembram, e muito, os irmãos Vercotti daqueles antigos esquetes do Monty Python Flying Circus.
Créditos. Bem, há duas formas de fazer os créditos iniciais em um filme com este título. Ou você segue a linha nazi-exploitation, exibindo os letreiros sobre imagens de documentário da Segunda Guerra; ou você segue a linha blaxpoitation, com uma música Disco estilo Shaft. E o que Lee Frost fez? Bem, ele simplesmente fez as duas coisas. Vemos imagens dos soldados marchando e Hitler acenando para a multidão, então de repente a imagem congela e somos atacados sem dó pela Terrível Guitarra Wha-wha dos Anos 70, como é de praxe em filmes black da época. Só faltou lançarem um "bad muthefucka" na letra, e estaria completo.
Bem, os créditos terminam (e graças a Deus não vemos o nome de Bob Cresse em parte alguma!), e o filme apresenta os seus protagonistas. Eles são o general Ahmed (Rod Perry, do seriado SWAT) e o coronel Kojah (Charles Robinson, que hoje tem uma boa carreira na TV americana). Eles são membros de uma organização militar destinada a porteger a comunidade negra. Só que enquanto Ahmed pretende resolver as coisas de forma pacífica, Kojah quer mesmo é sentar bala nos mafiosos brancos para tomar, ele mesmo, o controle do crime na região.
Ahmed tem uma namorada enfermeira, Marsha (a gatinha Angela Brent), que acaba sendo espancada e estuprada por Hoover. O general, então, dá carta branca para Kojah criar uma milícia armada para proteger a comunidade de ameaças do tipo. E o que a milícia faz? Entra na casa de Hoover enquanto ele está tomando banho e cortam as suas bolas fora. Quer saber? Fale o que quiser deste filme, mas é isso que Holocaust Part 2 deveria ter sido! Eu queria ver os soldados daquele filme invadindo a casa de um criminoso de guerra e cortando as bolas dele com uma navalha, ao invés de colocar um bode para lamber seu pé até a morte.
Esta ação enfurece o chefão local, Vince (interpretado pelo próprio diretor Frost), que começa uma guerra contra a milícia. Por um bom tempo, só o que vemos é o confronto entre as duas facções, até que Kojah finalmente derrota a máfia. Só que, ao estilo Tropa de Elite 2, ele começa a extorquir os cidadãos em troca de proteção, e usa o dinheiro para comprar uma mansão com campo de treinamento para os seus soldados.
Um momento, uma coisa acabou de me ocorrer: por que diabos eu estou falando deste filme aqui? Este é um blog de nazi-exploitation, e o único nazista que vimos até agora foi, ironicamente, Hitler. E Hitler neste filme faz tanto sentido quanto Charlie Chaplin em Os Mercenários. Será que o fato de ter a palavra "Gestapo" no título é o suficiente? Bem, Lee Frost com certeza queria que as pessoas fossem no cinema esperando ver um nazi-exploitation, e realmente ele conseguiu me enganar. Bem, já que estamos aqui, vamos até o fim...
Voltando ao filme. Ahmed, de alguma forma, ficou completamente alheio à evolução da milícia de Kojah, e leva um choque ao saber que o seu ex-subordinado é agora o novo chefão do crime. O general tenta resolver as coisas pacificamente, mas quando vê que Kojah não vai ceder, ele invade o campo de treinamento dos soldados e se prepara para chutar uns traseiros.
Este é o "momento Comando para Matar" do filme, quando Ahmed começa a exterminar os inimigos, primeiro um a um e depois às dúzias, com uma metralhadora. A estupidez nesta cena é abismal, e seria perder tempo tentar inumerar o número de bobagens que se sucedem até o conflito final entre Ahmed e Kojah, numa luta bem coreografada.
Bem, mesmo sem ter NADA de nazi-exploitation, The Black Gestapo está até um pouco em cima da média para o tipo de filme que se propõe a ser. É cheio de ação, as piadas são engraçadas, o elenco não é mal (aparece até a Uschi Digard, obviamente com as tetonas de fora e Donna Young, sendo que as duas fariam She Wolf of the SS naquele mesmo ano) e a idiotice geral só torna tudo mais divertido. E, é claro, fica anos-luz à frente de Love Camp 7. Parece que o culpado do fiasco daquele filme deve ter sido mesmo Bob Cresse.
Feliz ano novo!




