terça-feira, 28 de dezembro de 2010

The Black Gestapo (1975)



Eu tinha uma imagem bem clara na minha cabeça no que se referia a este filme chamado The Black Gestapo. E eu acho que esta é uma imagem que qualquer um teria em mente.



Atire a primeira pedra quem não pensou nisso!

Bem, como vocês podem imaginar, esta produção do infame Lee Frost (que nos entregou Love Camp 7) não é para qualquer um. Já o título é um estupro mental. O roteiro é uma loucura, basicamente a história de uma milícia que vai de protetores da comunidade até a chamada "Gestapo negra". Mas se você foi capaz de sobreviver a outros filmes narrados neste blog, provavelmente vai ter presença de espírito para encarar isso aqui. Vamos tentar?

O filme já começa mostrando a que veio. Na primeira cena, vemos dois mafiosos, Vito (Phil Hoover) e Delmay (Ed Cross) invadindo a casa de um pobre velho e cobrando a sua taxa de proteção. Vito e Delmay são brancos, e, como todos os brancos em filmes blaxploitation, eles são maus, asquerosos e sem nenhuma qualidade redentora. A interpretação dos dois, especialmente de Hoover, é hilária, e é uma pena que saiam de cena logo. Eles lembram, e muito, os irmãos Vercotti daqueles antigos esquetes do Monty Python Flying Circus.

Créditos. Bem, há duas formas de fazer os créditos iniciais em um filme com este título. Ou você segue a linha nazi-exploitation, exibindo os letreiros sobre imagens de documentário da Segunda Guerra; ou você segue a linha blaxpoitation, com uma música Disco estilo Shaft. E o que Lee Frost fez? Bem, ele simplesmente fez as duas coisas. Vemos imagens dos soldados marchando e Hitler acenando para a multidão, então de repente a imagem congela e somos atacados sem dó pela Terrível Guitarra Wha-wha dos Anos 70, como é de praxe em filmes black da época. Só faltou lançarem um "bad muthefucka" na letra, e estaria completo.

Bem, os créditos terminam (e graças a Deus não vemos o nome de Bob Cresse em parte alguma!), e o filme apresenta os seus protagonistas. Eles são o general Ahmed (Rod Perry, do seriado SWAT) e o coronel Kojah (Charles Robinson, que hoje tem uma boa carreira na TV americana). Eles são membros de uma organização militar destinada a porteger a comunidade negra. Só que enquanto Ahmed pretende resolver as coisas de forma pacífica, Kojah quer mesmo é sentar bala nos mafiosos brancos para tomar, ele mesmo, o controle do crime na região.

Ahmed tem uma namorada enfermeira, Marsha (a gatinha Angela Brent), que acaba sendo espancada e estuprada por Hoover. O general, então, dá carta branca para Kojah criar uma milícia armada para proteger a comunidade de ameaças do tipo. E o que a milícia faz? Entra na casa de Hoover enquanto ele está tomando banho e cortam as suas bolas fora. Quer saber? Fale o que quiser deste filme, mas é isso que Holocaust Part 2 deveria ter sido! Eu queria ver os soldados daquele filme invadindo a casa de um criminoso de guerra e cortando as bolas dele com uma navalha, ao invés de colocar um bode para lamber seu pé até a morte.

Esta ação enfurece o chefão local, Vince (interpretado pelo próprio diretor Frost), que começa uma guerra contra a milícia. Por um bom tempo, só o que vemos é o confronto entre as duas facções, até que Kojah finalmente derrota a máfia. Só que, ao estilo Tropa de Elite 2, ele começa a extorquir os cidadãos em troca de proteção, e usa o dinheiro para comprar uma mansão com campo de treinamento para os seus soldados.

Um momento, uma coisa acabou de me ocorrer: por que diabos eu estou falando deste filme aqui? Este é um blog de nazi-exploitation, e o único nazista que vimos até agora foi, ironicamente, Hitler. E Hitler neste filme faz tanto sentido quanto Charlie Chaplin em Os Mercenários. Será que o fato de ter a palavra "Gestapo" no título é o suficiente? Bem, Lee Frost com certeza queria que as pessoas fossem no cinema esperando ver um nazi-exploitation, e realmente ele conseguiu me enganar. Bem, já que estamos aqui, vamos até o fim...

Voltando ao filme. Ahmed, de alguma forma, ficou completamente alheio à evolução da milícia de Kojah, e leva um choque ao saber que o seu ex-subordinado é agora o novo chefão do crime. O general tenta resolver as coisas pacificamente, mas quando vê que Kojah não vai ceder, ele invade o campo de treinamento dos soldados e se prepara para chutar uns traseiros.

Este é o "momento Comando para Matar" do filme, quando Ahmed começa a exterminar os inimigos, primeiro um a um e depois às dúzias, com uma metralhadora. A estupidez nesta cena é abismal, e seria perder tempo tentar inumerar o número de bobagens que se sucedem até o conflito final entre Ahmed e Kojah, numa luta bem coreografada.

Bem, mesmo sem ter NADA de nazi-exploitation, The Black Gestapo está até um pouco em cima da média para o tipo de filme que se propõe a ser. É cheio de ação, as piadas são engraçadas, o elenco não é mal (aparece até a Uschi Digard, obviamente com as tetonas de fora e Donna Young, sendo que as duas fariam She Wolf of the SS naquele mesmo ano) e a idiotice geral só torna tudo mais divertido. E, é claro, fica anos-luz à frente de Love Camp 7. Parece que o culpado do fiasco daquele filme deve ter sido mesmo Bob Cresse.

Feliz ano novo!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Editorial: Um pouco de paciência por favor



Meus caros leitores devem ter percebido que eu não atualizo o blog já há um tempinho. Bem, é costume se dizer que as ocupações de fim de ano atrapalham a vida de blogueiro, mas isto é no meu caso é só metade da verdade. Acontece que eu tive dificuldades para encontrar novos nazi-exploitations para analisar, pois downloads do gênero são difíceis de encontrar. Por isso, demorou um tempo, mas consegui fazer um estoque de ao menos uma dúzia de filmes, e prometo que já no início do ano que vem teremos novas críticas, além de sessões novas. Enquanto isso, um feliz Natal para todos.

Matheus

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Love Camp 7 (1969)




Com: Bob Cresse (Comandante), Maria lease (Linda Harman); Kathy Williams (Grace Freeman)
Dirigido por: Lee Frost


Aqui nas minhas terras existe uma expressão que eu sempre achei muito curiosa: "você fez isso igual ao seu nariz". Eu nunca entendi de onde veio isso (ecos de Gógol, quem sabe...), mas é muito útil. "Fazer algo igual ao seu nariz" significa "fazer nas coxas", ou "fazer mal-feito". Faz parte de uma longa série de regionalismos que eu adoraria discutir em outro momento. Mas como este é um blog sobre nazi-exploitation, vamos falar de um nazi-exploitation.

Bem vindos a Love Camp 7, um filme feito igual ao seu nariz!

Feito em 1969, Love Camp 7 foi o primeiro nazi-exploitation feito, ao menos oficialmente (ver o meu artigo sobre The Cut Throats). Produzido, escrito e estrelado por Bob Cresse (falarei deste magnânimo ser humano mais tarde) e dirigido por Lee Frost, Love Camp 7 fez história também por estar entre os primeiros Video Nasties (aquela lista de filmes banidos na Inglaterra). Mas é consenso geral que o filme é bobinho demais para figurar entre as barbaridades que os britânicos queriam longe de sua ilha.

Love Camp 7 é um filme horrível, então? Bem, "horrível" talvez seja exagero. Tolo, ingênuo e infantil talvez sejam adjetivos mais apropriados. Aí você pergunta "Pô, Matheus, mas como é que um nazi-exploitation pode ser considerado 'infantil'?". Bem, caro leitor, vamos analisar esta pérola para tentar compreender como uma produção cheia de violência e peitos de fora parece ter sido feita por um garoto de oito anos de idade.

O filme começa num escritório em Londres, onde dois veteranos (nomes dos atores e personagens me escapam) contam suas histórias de guerra. O mais jovem diz que lutou no Pacífico, enquanto o mais velho diz que não botou os pés no campo de batalha, mas que foi um dos responsáveis pela vitória Aliada, e decide contar sobre seus dias de espionagem. Corta para um flashback, onde uma dúzia de oficiais de diversas nações discutem os rumos da guerra. Entre eles, está o Major Juro-Que-Não-Sou-Ron-Jeremy abaixo.

O general (e me desculpem, mas é impossível dizer o nome dos atores e dos personagens que os interpretam) expõe o seguinte problema: um cientista alemão que estava desenvolvendo um novo tipo de avião invisível a radares acaba de morrer, e sua secretária, que tinha todas as informações sobre o projeto, foi mandada para um campo de concentração. O plano dos Aliados é enviar duas oficiais para se infiltrarem no campo, obterem as informações sobre o projeto e fugir de volta para a Inglaterra.

As escolhidas são Linda Harman (Maria Lease, que hoje escreve roteiros para Boston Legal!) e Grace Freeman (Kathy Williams). As duas são lançadas de paraquedas na França e são capturadas pela Gestapo, que lhes envia direto para o Campo do Amor nº 7, onde devem fazer contato com a tal secretária.

Quem leu minhas críticas anteriores, deve ter percebido que isso tudo está começando a soar um bocado parecido com Stalag 69. Pois o filme de Selrahc Detrevrep tem o exato mesmo plot de Love Camp 7 mas possui a imensa vantagem de conter sexo explícito. Na verdade, Stalag 69 é um típico exemplo refilmagem hardcore de um filme que já tinha originalmente bastante sacanagem. Mas vmaos seguir em frente.

As garotas são levadas ao campo e... tá legal, é o momento de introduzir Bob Cresse.O que dizer do cara? Você nunca, em momento nenhum, vai acreditar que ele é o vilão. É difícil até vê-lo como um militar. Ele simplesmente não se encaixa no papel. Ele faz o comandante de Prisoner of Paradise parecer Ralph Fiennes em A Lista de Schindler. E só não entra na história como o vilão mais ridículo do nazi-exploitation porque Charles Esser fez a bondade de estrelar Blitzkrieg: Escape from Stalag 69. E considerando que Bob Cresse também escreveu e produziu Love Camp 7, podemos concluir que o negócio do cara não era mesmo o cinema.

O restante do filme é praticamente isso: as garotas são enviadas para o campo, onde são estupradas, torturadas, sofrem exames médicos, humilhações e por aí vai. E como esta brutalidade toda não qualifica o filme como um Video Nastie? Ora, porque estas cenas são filmadas igual ao seu nariz! Não há nunca nenhuma atmosfera de ameaça, a violência é patética, as atuações são hilárias e o vilão... o vilão é Bob Cresse, pelo amor de Deus! O homem cujo apíce como ator foi intepretar o equivalente pornô do Sargento Garcia em As Aventuras Eróticas de Zorro!

Há ainda momentos que se tornariam clichês, como o nazista que se revolta contra os seus comandantes (presente em quase todos os filmes do gênero) e a orgia com oficiais nazistas pervertidos. Tudo segue para um clímax com um massacre de oficiais (dentro de um escritório, já que aparentemente o orçamento era curto demais para filmar um levante a céu aberto) e uma cena com um vilão cego perseguindo suas vítimas pelo som que, se eu não soubesse, juraria que foi copiado em Halloween 2...

No mais, um filme sem nenhum atrativo, e que seria facilmente esquecido se, por um golpe de sorte, não tivesse dado origem a todo um subgênero. Mas além da curiosidade de se ver um filme pioneiro do cinema erótico de guerra, não sobra praticamente nada em Love Camp 7. Um típico caso de alunos que superaram o professor.

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