
Era 1977, o nazi-exploitation estava no auge, e diversas produtoras pequenas estavam tentando tirar proveito do gênero. Eram filmes rápidos e baratos, do roteiro à produção. Só o que o público pedia era ação, violência e sexo. Figurinos, cenários e até cenas inteiras podiam ser aproveitados de outras produções, o que levou vários estúdios a rodarem diversos filmes eróticos de guerra simultaneamente, utilizando elenco, equipe e personagens semelhantes.
Quanto à história, o mais fácil era copiar os dois maiores exemplares do gênero: Ilsa e Salon Kitty. Ou seja, apresentar os horrores do campo de concentração ou focar a narrativa em bordel frequentado pelos membros da SS (como é o caso do filme que vamos analisar).
A maior parte das produtoras a adotar o nazi-exploitation era italiana, mas isso não quer dizer que outros países não tiraram sua lasquinha. Pois foi naquele ano que a famigerada Eurociné, a Meca do exploitation francês, lançou quatro filmes seguindo o gênero: Nathalie Escape from Hell, Hitler's Last Train, Helga She Wolf of Spielberg e Elsa Fräulein SS. Destes quatro, o mais famoso acabou sendo Elsa Fräulein SS, onde, ao praticamente refilmar o seu Hitler's Last Train, o produtor Marius Lesoeur ainda deu um jeito de encaixar sua própria versão de Ilsa, a personagem imortalizada por Dyanne Thorne na famosa série americana. Substituindo Thorne pela lindinha Malisa Longo (que havia aparecido em Salon Kitty e Helga) e mudando uma letra no nome da personagem, o mundo viu nascer Elsa.
Vale um pequeno parêntese para falar dos vários títulos do filme. Elsa Fräulein SS foi lançado com diferentes nomes, tentando implicar relação com outras obras do gênero. Por isso, além de Elsa, que claramente tenta atrair os fãs da série Ilsa, o filme também foi lançado como Fräulein Kitty (tentando puxar uma pontinha de Salon Kitty, embora não haja nenhuma personagem com este nome), Fräulein Devil (combinando Fräuleins in Uniforms e She Devils of the SS - dois títulos para o mesmo filme) e Captive Women 4 (vários nazi-exploitations e WIP's da época se faziam passar por parte da franquia Captive Women, a exemplo das inúmeras sequências falsas do Zombie de Lucio Fulci).
Na trama do filme, a Gestapo, visando espionar os seus oficiais, para saber quais são leais a Hitler e quais são traidores em potencial, cria um bordel para satisfazer as tropas. Dentro das alcovas são instalados microfones, para que tudo dito entre aquelas quatro paredes seja registrado e usado para deter possíveis conspiradores. No comando de tudo estão Elsa, uma desequilibirada e ninfomaníaca oficiala, e o seu amante, major Houlbac (Olivier Mathot). Houlbac é um oficial bêbado e amargurado com os "serviços" que teve de prestar durante a guerra, e está a um passo de trair os seus superiores.
Há algumas variações em relação às outras cópias de Salon Kitty. Primeiro, o fato de o bordel ser instalado num trem que viaja para perto das tropas, elemento retirado diretamente de Hitler's Last Train. Segundo, as prostitutas aqui são mulheres setenciadas ao serviço, por terem cometido crimes contra o Reich (numa espécie de Os Doze Condenados num puteiro), embora este elemento seja sub-aproveitado.
A própria Elsa acaba se provando um personagem mais rico do que o filme ousa mostrar, em especial sua relação com o major Houlbac. Segundo os diálogos entre os dois, descobrimos que Elsa era uma prostituta decadente, que foi salva da miséria por Houlbac, satisfazendo, em troca, as perversões sadomasoquistas do oficial. Sendo sua dominatrix particular, Elsa chegou a coronela, e foi a escolha perfeita para a Gestapo na hora de montar o bordel.
O filme, infelizmente, prefere não narrar nada disso, preferindo apenas citar esta historia num diálogo, enquanto o plot principal vai no piloto automático, mostrando, por metade da metragem, apenas os trabalhos de espionagem realizados no trem, além de demonstrar a loucura de Elsa quando ela seduz e mata um jovem recruta desertor. A coisa começa a mudar de figura apenas quando se descobre que uma das "moças" do trem é uma espiã, e calha de ser Liselotte (Patrizia Gori), pela qual Houlbac acaba se apaixonando. Nisso, o major que já era revoltado contra o regime nazista, acaba se unindo de vez à resistência.
Há alguma tentativa de incrementar a trama com elementos de espionagem, mas mesmo isso acaba sendo em vão. Infelizmente os realizadores se perderam, com preguiça de desenvolver diversas facetas interessantes do roteiro, que carregam potencial para um filme muito melhor. O triângulo amoroso entre Elsa, Houlbac e Liselotte, por exemplo, poderia ser muito interessante se desenvolvido com mais interesse. A relação do major com Elsa é de ódio e luxúria; enquanto com Liselotte ele parece sentir um amor verdadeiro, mas se vê em conflito por ela ser uma prostituta. Curioso também que Elsa escuta por várias vezes as declarações anti-nazistas do major, mas que jamais pensa em entregá-lo, sugerindo que há algo mais do que chicotes e botas de couro entre os dois.
Infelizmente este triângulo, que poderia ser o ponto alto do filme, acaba sendo deixado de lado. Sobra um produto ordinário, com um valor de produção até bastante alto para o que estamos acostumados a ver no gênero, mas ainda assim insosso e insípido. Não é o pior do seu tipo. Mas também está longe de ser memorável.
Gostaria de saber se esta atriz Patrizia Gori a que aqui se referem é a mesma das fotonovelas antigas dos anos 70. Em 1977 lí uma fotonovela com Patrizia Gori linda, com belos olhos verdes. O título era: Longe de você não vivo. Nunca esquecí.
ResponderExcluirAnônimo, eu consegui encontrar exemplares de fotonovela em italiano com a Patrizia Gori, mas se tratam de cenas (bem explícitas, aliás) de filmes que ela fez e que depois foram lançados neste formato. Quanto a esta que você mencionou, vou ver se consigo alguma informação. Abraço.
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