segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Le Bambole del Führer (1995)




Joe D'Amato. Aristide Massaccesi. Arizona Massachuset. O Ed Wood do Mal, porra! O cara que dirigiu Antropophagus, Emanuelle in America e Beyond Darkness. Você põe este cara para dirigir uma versão hardocre de Salon Kitty, e o que se poderia esperar? Pelo menos eu sei o que eu esperava: uma obra violenta e grotesca, para rivalizar com clássicos do gênero como Gestapo's Last Orgy e o próprio Salon Kitty.

Pobre de mim, que estou acostumado com os filmes de horror de Joe D'Amato. Porque este filme chamado Le bambole del Führer foi feito em 1995, quando o nazi-exploitation estava morto e enterrado, e D'Amato já não era mais o realizador de obras viscerais como as mencionadas acima, e sim um mero diretor de pornôs de quinta, sem história e sem graça.

Eu vou tentar escrever um artigo sobre Le bambole del Führer, mas esta vai ser uma tarefa inglória e infrutífera. Porque o filme é composto basicamente de diálogos de três minutos seguidas por orgias de vinte. Para fazer um resumo rápido, é a velha trama do bordel nazista criado para espionar oficiais, passando do recrutamento das jovens até o seu uso nas casas de má fama e terminando com a queda do III Reich.

A forma como isso tudo é mostrado é simplesmente ridícula. Temos os créditos iniciais, com um grupo de oficiais discutindo o plano. Logo depois, um deles vai "testar" uma jovem prisioneira candidata a funcionária do bordel, e lá se vai o primeiro ato com a fornicação dos dois.

Depois, um casal de prisioneiros se engraçam na lavanderia de um campo de concentração, e começam a se enroscar quando um oficial pega os dois, e tira uma casquinha também. Aliás, isso pode parecer estranho considerando os filmes que eu já critiquei aqui, mas eu realmente me sinto desconfortável com um filme pornô que mostra dois prisioneiros de um campo de concentração dando uma rapidinha enquanto os outros vão pro forno. O conceito dsta cena é um pouco perturbador, e não de uma maneira intencional e artística, mas de uma forma bem estúpida. Acho que eles realmente ultrapassaram um limite aí...

Logo após desta cena, temos uma breve sequência com oficiais discutindo uma carga de dinheiro que foi conseguida como verbas para o bordel. Estou até agora tentando imaginar o ponto desta cena já que ela não acrescenta nada à história (isso, é claro, considerando que exista uma história neste filme) e, ao contrário do que se pode esperar, os personagens nem sequer tira a roupa.

Mas para compensar temos, logo a seguir, uma cena de sexo, desta vez no bordel propriamente dito. Terminado isso, parece que finalmente vamos ter uma cena para desenvolver a trama. As prostitutas do bordel se reúnem com os oficiais para discutir o sucesso da empresa. Mas cena de diálogo é cena perdida neste filme, e parece que o editor ficou de saco cheio da conversa, porque ele corta a cena no meio da fala de uma atriz e passa para os mesmos personagens fazendo uma orgia.

Bem, sobraram três minutos para terminar a história (se é que tem alguma coisa para terminar). Como eles irão fazer, nestes três minutos, para copiar aquele final de Salon Kitty, que mostra o fim do governo nazista? Bem, a maneira criada por D'Amato foi simplesmente mostrar um rádio explicando que Adolph Hitler se suicidou. E a forma que ele diz isto é exatamente esta: "Hoje o führer Adolph Hitler se suicidou." Nem uma vírgula a mais.

Talvez horroizados com a concisão do locutro do rádio, os oficiais se suicidam (porra D'Amato, tá imitando até o Bruno Mattei?) e as "garotas" vão embora. Fim.

Qual foi o propósito de tudo isso? Será que D'Amato realmente achava que em 1995, quase trinta anos depois de Salon Kitty ser lançado, ainda seria possível capitalizar com o sucesso do filme de Tinto Brass? Mas o que realmente enfurece é a falta de ousadia do velho Joe, que não mostra uma única cena de violência ou suspense, se limitando a empilhar trepada depois de trepada depois de trepada. Resta a curiosidade de ver um exemplo do gênero feito na década de 90, quando ninguém mais investia neles. Mas fico imaginando o que o diretor não faria com esta história nos tempos de Antropophagus.

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