domingo, 19 de junho de 2011

The Black Brigade (1970)


Ótima surpresa este pequeno men on a mission feito direto para a TV norte-americana. Apesar da falta de recursos, o filme consegue se manter com boas atuações, personagens carismáticos e algumas surpresas no roteiro que, embora não bastem para fazê-lo um clássico, ao menos mostram algum esforço por parte da produção.

Na trama, o Capitão Carter (Stephen Boyd) recebe a missão de tomar uma represa dos nazistas. Só que o pelotão que é posto sobre o seu comando é composto de um bando de soldados rasos que passaram a guerra cavando latrinas. E para tornar as coisas mais complicadas para o racista Carter, todos eles são negros.

A construção dos personagens é a alma do filme. Ao contrário de filmes como The Cut-Throats, aqui há um desenvolvimento cuidadoso de cada um dos soldados, o que nos faz sentir quando alguns deles morrem, não raro de forma estúpida. Curioso também o fato de que muitos deles são representados por atores conhecidos, numa espécie de Os Doze Condenados blaxpoitation.

Os mais interessantes acabam sendo os soldados Hayes (Moses Gunn), ex-professor de Física em Havard, e Crunk (ninguém menos que Richard Pryor, em início de carreira!), um recruta covarde que tenta por várias vezes desertar, mas acaba tendo uma brilhante redenção no final. O elenco conta também com Robert Hooks como o responsável pelo pelotão e Billy Dee Williams como um soldado de pavio curto.

O filme prefere se concentrar nas relações humanas entre o capitão e seus comandos, ao invés de focar na ação, que só ocorre mesmo nos últimos vinte minutos. Para a nossa sorte o elenco mantém o interesse mesmo durante as longas cenas de diálogos. A cena mais memorável acaba sendo o diálogo entre Big Jim (Roosevelt Grier, primo de Pam Grier) e Crunk. "Qualquer um pode ter medo. O que importa é o que você faz quando está com medo, é o que te faz um alguém ou um ninguém."

Para complicar mais as coisas, em determinado momento os soldados tomam refúgio na casa de Anne (Susan Oliver) uma moça alemã que trabalha para a resistência. Surge um certo clima entre ela e o tenente Wallace, o que enfurece Carter. "Nunca mais quero ver você pondo as mãos em uma mulher branca!", grita o capitão, em um momento que faz pensar se o verdadeiro inimigo está mesmo atrás das linhas inimigas...

The Black Brigade é divertido e ainda tem cérebro. O filme é curto (apenas 70 minutos), e mantém o interesse o tempo todo, se colocando acima de muitos outros semelhantes. Como bônus a esta crítica, posto o filme abaixo, uma vez que está em domínio público. É só clicar na imagem abaixo e aproveitar!

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