"A sociedade educada reserva ao gênero (e seus fãs) um canto quentinho no inferno. Mesmo os fãs de exploitation o condenam. (...) Mas não é para se preocupar. O Nazisploitation não quer ser aceito. De fato, seu maior poder é ultrajar."
Walter P. Simmons, em texto no encarte do DVD de Blitzkrieg: Escape from Stalag 69 (2008)
"Hoje já encontrei minha vocação na Advocacia. E faço dela um sacerdócio, em luta sempre por uma sociedade melhor"
Dr. Victor Travancas, que vocês já devem conhecer
Fazem poucos anos, eu era um adolescente inseguro passando por uma época difícil, e que assistia os filmes mais violentos possíveis para chamar um pouco de atenção. Hoje, mais velho (pero no mucho) e muito mais seguro, eu ainda aprecio um bom filme sangrento, embora aqui e ali eu sinta que já tenha amolecido um pouco.
Naqueles meses mais complicados, arrumei uma cópia de Gestapo's Last Orgy, um nazi-exploitation dirigido por Cesare Canevari, que fez tanto a minha cabeça que eu comecei a fuçar por toda a parte informações sobre o gênero. Passava horas pesquisando e baixando filmes, e cheguei a montar um arquivo sobre o gênero na minha cabeça. Arquivo atravancado e inútil, até que surgiu a ideia de montar um blog sobre o assunto.
Mas levou alguns meses para que eu tivesse a coragem de botar a mão na massa. Foi por medo, uma pontada de receio de não ser compreendido. Cá estou eu, num bem sucedido blog sobre filmes pornográficos de guerra, um blog que, desde o seu princípio, procurou manter bem claro o seu repúdio às ideologias nazi-facistas, e que desde a sua criação teve apenas um pequeno problema, bem no início, com pessoas de mente fechada que me acusaram de ser adorador de Hitler. Esta foi uma coisa que eu temi por muito tempo, por isso o texto aí no canto esquerdo. Felizmente já pude perceber que os meus leitores entenderam bem que meu negócio aqui é crítica cinematográfica.
É complicado isso. Num país em que um filme de terror é vetado pela justiça, como se uma hora e meia de exibição fosse fazer a sociedade pior, volta aquela pontada de medo que eu senti bem no início do blog.
Afinal de contas, existe mesmo um canto quentinho para mim lá embaixo?
O nazi-exploitation começou, oficialmente, em 1969, com Love Camp 7 e The Cut-Throats. Atingiu seu ápice em 1977. Morreu por um tempo, e recentemente, recebeu um pouco de vida nova com coisas como Werewolf Women of the SS e Blitzkrieg. De lá para cá já foi defenestrado pro meio mundo, e continuará sendo. É bizarro? É. É ofensivo? Com certeza. Vai contra os tais "valores da família" pregados pelo Dr. Travancas? Eu ficaria bem decepcionado se não fosse.
Eu não acho que deva me envergonhar da minha paixão por este gênero. Não mais do que por ser fã de Greta Garbo, Dylan Dog ou Legião. Eu acredito, com todo o meu coração, nestas produções pobres sobre a qual escrevo. Eu acredito que elas são a prova de que qualquer história pode ser contada. E eu acredito, sinceramente, que no no lodo destas produções pobres se possa encontrar verdadeiras pérolas, filmes que não merecem o respeito devido por conta do seu estigma de "pornô-nazista".
Já estudei com meninos do Brasil que, para tentar aprontar algum tipo de rebeldia, fizeram um trabalho sobre Hitler quando a professora pediu para escolherem um dos grandes herois da humanidade. Crianças de 11 anos. Nem de longe o ideal de "ariano" defendido por Hitler. Fizeram isso para chocar. Um destes garotos morreu dois meses depois, num acidente que ocorreu no horário escolar, e que não teria acontecido se ele não tivesse sido expulso da escola. Acho que isso diz mais do que eu posso explicar com palavras.
Todos os mísseis estão apontado para os alvos errados.
A missão deste blog continuará sendo falar sobre o nazi-exploitation com olhos de quem realmente é apaixonado pelo gênero, e esta missão vai continuar enquanto eu puder, mesmo com alguns percalços aqui e ali. Vou fazer tudo o que puder para atrair a atenção para tudo de bom e ruim no meu gênero exploitation favorito.
Voltaremos em breve com a programação normal!
Bravo!
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