Este foi um comentário que meu fan-trailer de Nazi Love Camp 27 recebeu no YouTube. Não conheço o dono do comentário, e creio que ele tem lá as suas razões para chamar o filme de "risível" e "barato". Eu pessoalmente não me importo. Quando o seu filme preferido sobre a Segunda Guerra Mundial é um pornô estrelando Sirpa Lane, você tem que se habituar a este tipo de comentário. E eu sei que muitos dos meus leitores entendem muito bem o que é sofrer este tipo de preconceito cinematográfico. Gostar de filmes "risíveis" e "baratos" pode ser difícil neste mundo cheio de superproduções, onde a maioria dos espectadores aperta o eject assim que percebe que os tiros disparados pelos personagens não deixam buracos de bala nas vítimas.
Eu assisti Nazi Love Camp 27 pela primeira vez há uns quatro anos atrás. Desde então, devo ter revisto ao menos uma vez por ano, sempre com prazer. E digo isso: se você for assistir apenas um nazi-exploitation na vida, garanta que seja este. Porque o filme traz um pouco de tudo que o gênero pode oferecer. Campo do amor, bordel, vingança, amor entre prisioneira e carcereiro, tortura, bondage, sexo explícito, experimentos... E mesmo com tudo isso, de alguma forma se mantém sempre original e surpreendente.
O filme conta a saga (e não é nenhum exagero chamá-la assim) de Hannah Meyer (vivida magistralmente por Sirpa Lane, no papel de sua vida), uma jovem judia de família abastada que vive um romance com o militar Klaus Berger (Roberto Posse, de Zumbi 3) no período antes de o nazismo estourar na Alemanha. O filme abre com os dois pedalando por um caminho de terra que leva à casa de campo dos pais de Hannah, a beira de um lago. É neste momento que os dois descobrem o sexo, e é fantástico vê-lo de forma tão doce e inocente num filme que logo nos bombardeará com cenas de violência sexual aberrante.
Após este início lúdico, o inferno se abate. Hitler toma poder, Hannah e sua família tem que se esconder dos nazistas, e Klaus é chamado para o front, como soldado "ariano". O apartamento dos Meyer em Paris é invadido pelos nazis, e Hannah se defende executando um deles com um tirombaço no estômago. Para salvar a vida da filha, a mãe de Hannah (Margherita Horowitz, de Salon Kitty) assume a culpa, e é executada no ato.
Hannah é poupada por sua beleza, e enviada para um campo de concentração, onde é estuprada pelos soldados, em cenas que incluem enxertos de sexo explícito. De lá, ela é enviada para um campo do amor, onde deverá servir de prostituta para os soldados que voltam cansados do front.
Enquanto isso, Klaus já se tornou um oficial na guerra, embora sofra conflitos internos por ter de cumprir as barbaridades dos nazistas. Isso fica claro numa cena em que ele impede um grupo de rebeldes de serem executados por seu batalhão.
Já sacou o filme todo, né? Cascata! Você provavelmente está esperando que Nazi Love Camp 27 siga o caminho de quase todo filme do gênero: Hannah sofrerá estupros e violência no campo, tentará fugir, se enroscará num oficial nazista, e por aí vai. Bem, você está meio certo. Mas isso tudo acontece apenas na metade do filme. Lembre-se que o argumento e roteiro do filme são de Giafranco Clerici, um dos mais talentosos roteiristas do cinema exploitation italiano (escreveu, por exemplo, Cannibal Holocausto e New York Ripper). Pois Clerici, ao contrário da maioria dos roteiristas do gênero, conhecia a fundo o nazi-exploitation, e transforma o filme completamente a partir dos 40 minutos de projeção.

Pois é então que história dá uma guinada: surge o Coronel Kurt von Stein (aliás, por mais que adore este filme, estes nomes alemães são o mais genéricos possíveis!), que salva Hannah da execução e a traz para sua casa para lhe servir como dominadora sádica. Ele dá vestidos e perfumes a Hannah, e ela, em troca satisfaz seus prazeres pervertidos. Só ao invés de entrar em conflito consigo mesma por ter se tornado amante de um nazista, Hannah aceita a vida de confortos e presentes que ele lhe oferece, chegando ao ponto que também ela se apaixona por ele!
E adivinhem qual é a missão que von Stein recebe dos superiores? Vamos repetir juntos: "montar um bordel para espionar os oficiais nazistas!". E para poder levar Hannah consigo nesta missão, ele forja a morte dela e lhe cria uma nova identidade: Lola Carr, uma "ariana" que ele toma como esposa para lhe ajudar a montar o bordel.
E enquanto isso, onde está Klaus? Bem, ele também teve a sua fatia de desventuras. Depois de ser ferido em batalha, ele recebe a notícia de que Hannah teria morrido e, pior de tudo, descobre que sua irmã (Renata Moar, a menina forçada a comer merda em Salò) se voluntariou para um experimento que visa gerar um bebê para suceder Hitler no comando do Terceiro Reich (elemento interessante do roteiro, que infelizmente logo é esquecido).
O terceiro ato do filme se dedica a mostrar o cotidiano no bordel nazista. É incrível a transformação que Hannah (agora Lola) sofre até chegar a este ponto. Chega um momento em que ela abandona qualquer traço de sua personalidade anterior, o que se vê claramente quando um coronel impotente mata uma das prostitutas enfiando-lhe um chifre de boi naquele lugar (numa cena extrema com X maiúsculo). Hannah/Lola simplesmente ordena que limpem a bagunça e se livrem do corpo, numa frieza que faria Ellen Krastch tremer.

Acho que já contei mais do que devia, mas simplesmente não sou capaz de resumir este filme em poucas palavras. Nazi Love Camp 27 é meu filme preferido da Segunda Guerra, e o coloco acima de muitas obras cheias de estrelas e orçamentos gigantes. O grande mérito vai mesmo para Sirpa Lane, uma atriz linda, talentosa e cheia de potencial, que o próprio Roger Vadim chamou de "a nova Bardot", mas que infelizmente teve carreira curta e veio a morrer de Aids em 1999. Sua Hannah Meyer é, sem dúvida, um dos maiores personagens já retratados em um nazi-exploitation, e não faria feio em nenhuma produção classe A, que mostrasse a sua jornada com cenários mais luxuosos e quem sabe uma hora a mais de filme.
Mas do jeito que está, é perfeito. Nazi Love Camp 27 é a nata da nata do nazi-exploitation, e deve ser apreciado como o filmaço que é. Desde que você não se importe com filmes risíveis, baratos e do caralho.

Onde acho para baixar esse filme com legenda em portugues ?
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