sexta-feira, 9 de setembro de 2011

She Wolves of the SS (1989)









Pois é, meus amigos, se tem um elogio que se possa fazer ao frustrado pornógrafo Max Schenk é que ele, ao menos, leu alguns livros de história. Quer dizer, considerando que os três filmes da sua carreira (The Erotic Adventures of Bonnie and Clyde, Hitler Sucks! e este aqui) são produções hardcore com conteúdo histórico, ele se sai razoavelmente bem nas suas referências. Muito cuidado: não estou dizendo aqui que a reconstituição de época era excepcional ou que os fatos históricos estão bem espremidos entre a pornografia, mas sim que o cara tinha noção o suficiente para encaixar uma ou outra boa sacada no filme. Há citações a figuras como Goebbels, Eva Braun e, num momento mais esperto, uma cena de sexo ao som das Valquírias.

O filme é composto de uma série de histórias curtas, sem conexão entre si. Logo a princípio, Schenk já mata o maior clichê dos nazi-exploitations: a criação de um bordel para satsifazer e espionar os oficiais nazistas. O diferencial aqui é que quem vem anunciar o plano é o próprio ministro da propaganda Goebbels, que, obviamente, pede para "testar" as moças.

(Um parêntese. Sempre tive uma leve fascinação pelos atores que interpretaram Josef Goebbels no cinema. Isso porque ele tinha feições bem particulares, o que torna mais difícil de se escalar alguém para o papel. É óbvio que aqui ninguém deu muita importância para isso, e colocaram um mané qualquer - loiro e usando um uniforme da Gestapo, ainda por cima - no papel.)

Bem, no segundo capítulo temos outro personagem histórico importante: Mata Hari. Hari, como vocês devem saber se lerem este texto, era uma famosa espiã e dançarina exótica na França durante a guerra. O único problema? ELA É DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL! Caralho, Schenk, eu gastei um parágrafo para defender o seu trabalho de pesquisa e você apronta uma dessas? Bem, que seja: Mata Hari dança para um oficial nazista, tudo acaba no rala e rola, próxima história.

O terceiro capítulo é bem básico, e não tem muita história: uma conversinha de meio minuto e depois vinte minutos daquilo. A quarta história envolve uma prostituta praticando bondage com o demônio em pessoa, Adolf Hitler, e mais uma vez, não conseguiram nem sequer um ator moreno para o papel.

Mas vamos pular de uma vez para o último capítulo que é bem... especial. Um oficial da SS e uma moça num vestido branco conversam. Um exemplar do diálogo, para vocês saberem em que estão se metendo:

- Qual é o seu nome, garota?
- Eva Braun.
- Eva? Eu gosto deste nome. Este é o nome da minha irmã. Faz anos que não vejo minha irmã Eva. (...) Sabia que a minha irmã Eva foi a primeira mulher que eu...

ARRRRRGH!!!

Isso mesmo, como se o fato de este ser um pornô nazista não fosse razão o suficiente para ser condenado ao inferno, deram um jeito de brincar com incesto. Enfim, pior do que isso não pode ficar. Vamos continuar o diálogo:

- E a sua primeira vez? - pergunta o oficial. - Foi muito especial para você?
- Não, eu não gostei muito. + responde Eva - Foi com o meu pai.
...

Ok, gente, eu preciso ir dar umas chibatadas nas minhas costas para ver se consigo expiar a experiência de assistir a este filme, mas uma consideração final: acho que mesmo os chefões da pornografia acharam que Max Schenk foi "um pouco" acima dos limites. Com o tipo de piada que temos aqui, mesmo Joe D'Amato fica parecendo um menino de cinco anos de idade.

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